A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) levou à 21ª Expovale, em Ivaiporã, uma ação crucial de combate e prevenção contra a raiva, doença que segue como uma das zoonoses mais letais do estado. A primeira oficina sobre o impacto da raiva no contexto da Saúde Única - abordagem que integra saúde humana, animal e ambiental - foi realizada durante a feira, respaldada pelo Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros, executado pela agência no Paraná.

Considerada uma das doenças de maior importância em saúde pública, a raiva mantém grandes impactos econômicos, sociais e sanitários no estado. Rafael Gonçalves Dias, chefe do Departamento de Saúde Animal da Adapar, alerta sobre a gravidade da situação: "O vírus da raiva é transmitido por um tipo de morcego hematófago e pode ser letal para os animais e para os humanos". Os números comprovam a preocupação: no último ano, o Paraná registrou 258 casos comprovados da doença em herbívoros, enquanto em 2025 já foram investigados mais de 400 casos, com 218 confirmações até o momento.

A doença circula tanto em territórios urbanos, onde cães e gatos são os principais transmissores, quanto em ambientes rurais, onde os morcegos hematófagos da espécie Desmodus rotundus são os principais reservatórios e responsáveis pela transmissão aos animais de produção. Diante deste cenário, a oficina uniu a Adapar e a 22ª Regional de Saúde em um esforço conjunto de conscientização.

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Durante as atividades, foram abordados temas como o monitoramento de abrigos de morcegos hematófagos, investigação de casos suspeitos e ações cruciais para o controle e prevenção da raiva no ciclo rural. A Adapar destacou que os animais de produção mais afetados são bovinos, equinos, pequenos ruminantes e suínos, apresentando inclusive um recente foco de raiva registrado em um bovino no município de Pitanga, na região Central do estado.

A prevenção é o ponto central da estratégia da autarquia. A Adapar realiza cadastramento e monitoramento de abrigos de morcegos hematófagos, investiga casos suspeitos em herbívoros com coleta de material e executa ações em focos de raiva. Além disso, desenvolve atividades de educação sanitária, ensinando a identificar morcegos hematófagos, reconhecer os sinais clínicos da doença nos animais e como realizar a notificação adequada.

A vacinação emerge como a ferramenta mais eficaz no combate direto à doença. A vacina contra a raiva tem baixo custo, pode ser aplicada pelo próprio produtor e deve ser administrada anualmente. "A vacinação preventiva é a melhor forma de combate direto. Uma vez que o animal apresenta sinais clínicos não há tratamento", explica a agência. Atualmente, a vacinação é obrigatória em 30 municípios do Oeste paranaense, conforme a portaria nº 368/2025 da Adapar.

A escolha desses municípios considerou a quantidade de focos registrados nos últimos anos, a proximidade com o Parque Nacional do Iguaçu, a ocorrência de áreas compartilhadas de transmissão e o elevado número de pessoas que precisaram de tratamento após contato com animais suspeitos. Embora a obrigatoriedade abranja apenas 30 municípios, a vacinação é aconselhada em todo o território paranaense.

No ambiente urbano, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) cumpre papel fundamental na vigilância epidemiológica em humanos. Durante a oficina, o órgão elucidou dúvidas sobre o monitoramento de casos suspeitos em humanos e animais domésticos, informou sobre as formas corretas de tratamento pós-exposição e destacou a importância das campanhas educativas para sensibilização da população.

Na prática, são as equipes das secretarias municipais e estaduais que acolhem a população quando há mordeduras ou possível exposição, garantindo que o tratamento seja iniciado a tempo de salvar vidas. "Mesmo sendo uma doença de fácil prevenção, a raiva continua avançando por falta de cuidado da população", alertam as autoridades.

A Expovale, considerada a maior feira da região do Vale do Ivaí, serviu como palco ideal para estas discussões. Realizada entre 14 e 19 de novembro de 2025, a exposição agropecuária e industrial tem como foco a realização de negócios, promoção da inovação e fortalecimento produtivo, além de ter comemorado os 64 anos do município de Ivaiporã.

A atuação conjunta entre saúde humana, defesa agropecuária e meio ambiente, somada à vacinação animal e à informação da sociedade, se mostra como a forma mais eficaz de combater esta enfermidade que continua representando séria ameaça à saúde pública e à produção agropecuária paranaense.