Em um mundo onde a tecnologia avança a passos largos, três estudantes de Leme, no interior de São Paulo, decidiram usar o conhecimento em programação para uma causa nobre: salvar vidas. João Masculi, Felipe de Souza e Arthur Ferreira, alunos do curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas da Escola Técnica Estadual (Etec) Deputado Salim Sedeh, criaram o Pax AI – Assistente Virtual Auxiliar em Primeiros Socorros, um aplicativo que promete revolucionar o atendimento em emergências médicas.

Sob a orientação do professor Andre Candido, os jovens desenvolveram uma ferramenta que combina inteligência artificial, geolocalização e protocolos médicos validados para oferecer suporte imediato em situações críticas. O diferencial do aplicativo está na sua capacidade de funcionar tanto online quanto offline, garantindo acesso a informações vitais mesmo em locais sem conexão com a internet.

"A proposta é que o assistente virtual conduza o usuário passo a passo, liberando apenas as informações essenciais, a fim de reduzir erros e otimizar o tempo de resposta em situações de emergência", explica Arthur Ferreira, um dos autores do projeto. A navegação ocorre por meio de um chatbot alimentado por um modelo de IA treinado com padrões médicos, que oferece orientações para cerca de 70 cenários considerados mais recorrentes.

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Um dos recursos mais inovadores do Pax AI é o sistema de geolocalização híbrida, que utiliza GPS e rede celular para identificar coordenadas geográficas mesmo sem internet. Com essa informação, o aplicativo pode acionar automaticamente os serviços de emergência conforme o local da ocorrência, eliminando uma etapa crucial que muitas vezes consome minutos preciosos.

Outra funcionalidade importante é o envio automático de mensagens SMS para contatos de confiança previamente cadastrados pelo usuário, caso ele próprio necessite de ajuda. "Nos testes simulados realizados com enfermeiros e médicos, todas as respostas e abordagens do aplicativo foram validadas", relata Felipe de Souza, coautor do trabalho acadêmico.

Para João Masculi, também integrante da equipe de pesquisa, a combinação de IA conversacional, georreferenciamento offline e comunicação direta com serviços de resgate tem potencial para reduzir significativamente o tempo de resposta até a chegada dos primeiros socorros. "A ferramenta busca ainda minimizar falhas de interpretação em situações de alto estresse emocional", acrescenta.

O grupo avalia que o Pax AI amplia a autonomia do usuário em momentos críticos e auxilia pessoas leigas inseridas em contextos emergenciais, nos quais cada segundo pode ser decisivo. O projeto está alinhado ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3 da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que trata da promoção da saúde e do bem-estar.

"A viabilidade técnica e a relevância humanitária do protótipo demonstram como a ferramenta pode contribuir para salvar vidas e fortalecer a cultura de prevenção em saúde", avalia o professor orientador Andre Candido. O aplicativo foi apresentado durante a 16ª edição da Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps), principal evento de inovação e empreendedorismo estudantil das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais.

Em um país onde conhecimentos básicos de primeiros socorros ainda não são amplamente difundidos, iniciativas como a dos alunos da Etec de Leme mostram como a tecnologia pode ser uma aliada poderosa na promoção da saúde e no enfrentamento de emergências médicas. O Pax AI representa não apenas um avanço tecnológico, mas um compromisso com a vida e o bem-estar da população brasileira.