O Natal no Brasil é sinônimo de troca de presentes, ceia farta, panetones, decoração e confraternizações. Uma data que movimenta os afetos e também o varejo, gerando oportunidades para quem busca uma renda extra. De olho nesse potencial, estudantes das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e da Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatecs) estão colocando a mão na massa para fazer novos negócios, aplicando na prática o que aprendem em sala de aula.
O empreendedorismo como pilar educacional
Ronei Evangelista, superintendente da Etec Jardim Ângelo, destaca que as festas de final de ano são um momento propício para os alunos exercitarem o empreendedorismo. “O empreendedorismo é um pilar forte nas Etecs que pode capacitar o aluno a montar seu próprio negócio e ainda gerar novos postos de trabalho”, afirma o docente. Essa visão se materializa em diversos projetos que ganham força especialmente no último trimestre do ano.
Da tecnologia à gastronomia: diversidade de oportunidades
Ryan Sobrinho, aluno do 2º ano de Desenvolvimento de Sistemas da Etec Jardim Ângelo, é um exemplo na área digital. Programador desde os 9 anos e atuando como desenvolvedor de softwares desde os 14, ele observa um aumento de cerca de 25% na demanda por sistemas, aplicativos, design digital e campanhas digitais nessa época. “A Etec tem me ensinado sobre como empreender, como dar visibilidade ao meu produto e como vendê-lo”, explica Ryan, otimista com as possibilidades do Natal.
Já na Fatec São Roque, a estudante Raquel Costa, do curso de Gestão de Empreendimentos Gastronômicos, une criatividade e estratégia. Sócia da hamburgueria artesanal Boka Burger, ela percebeu a oportunidade de expandir os negócios e criou a confeitaria artesanal Casa Branco Doce, especializada em panetones, minipanetones e biscoitos temáticos. “Futuramente, quero expandir e produzir outras linhas de alimentos para aproveitar a sazonalidade e o aumento das vendas superior a 10% em datas como férias escolares, Carnaval e feriados”, planeja Raquel, que atribui parte do sucesso ao conhecimento adquirido na faculdade.
Aprendizado que se transforma em resultado
Renata Castro, coordenadora da Fatec São Roque, reforça que o curso tem componentes curriculares que incentivam o empreendedorismo, além de eventos como feiras e rodadas de negócios que oferecem networking e experiência prática. Na Etec Santa Ifigênia, Fernanda Campos, aluna do curso de Gastronomia, aplica as lições na confeitaria Bolos da Josi, da mãe, em Guarulhos. Ela relata um impulso de 20% nas vendas após aperfeiçoar técnicas e aprender sobre precificação. “O aprendizado aperfeiçoou a minha técnica para fazer massas, cremes e decoração, além de ter me ensinado noções de precificação e de valor do produto”, avalia Fernanda.
Iniciativas que vão da criatividade à gestão
Em Apiaí, a Etec incentiva os alunos a participarem de eventos como a Profitec, Inova e Arte Move, onde podem expor seus projetos. Dimas Duarte, superintendente da unidade, cita exemplos como o das alunas Lorena Martins e Maria Eduarda Gimenez, que vendem doces sob a marca Marias Brownies, e de Luiz Fernando Ribeiro, que criou a marca SubMundo para estampar camisetas. “Com essas experiências, os jovens colocam em prática o aprendizado dos cursos sobre cálculo para formação de preço de venda, fluxo de caixa, marketing e investimento”, explica Duarte.
Esses projetos ilustram como os alunos das Etecs e Fatecs não apenas desenvolvem habilidades técnicas e criativas, mas também aprendem a aproveitar a sazonalidade do mercado. Ao transformar conhecimento em negócios reais, eles dão os primeiros passos no empreendedorismo, preparam-se para o mercado de trabalho e fortalecem sua formação para o futuro.

