A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) recebeu uma indicação ao prêmio de Agência Pública de Água do Ano na Global Water Awards, uma premiação internacional que reconhece avanços nos setores de água, esgoto, tecnologia e dessalinização pela sustentabilidade dos recursos hídricos do planeta. A indicação coloca a agência brasileira ao lado de instituições de países como Coreia do Sul, Estados Unidos, Arábia Saudita e Malásia na disputa pelo reconhecimento global.
Segundo Alexandre Anderáos, superintendente adjunto de Regulação de Saneamento Básico da ANA, a indicação representa um reconhecimento de que o Brasil tem construído estruturas, normas, órgãos e mecanismos governamentais mais robustos para água e saneamento. "Na prática, esse reconhecimento internacional ajuda a dar mais visibilidade e legitimidade a uma agenda que busca ampliar o acesso com maior equidade territorial e social", avalia o gestor.
A iniciativa que promove a premiação, a Global Water Intelligence (GWI), destacou que as novas normas de referência da agência brasileira ajudaram a resolver disputas antigas, reduzir incertezas para operadores e investidores, estabelecer metas nacionais de universalização e introduzir indicadores de desempenho comparáveis em escala nacional.
Entre os exemplos dessa agenda regulatória desempenhada pela ANA nos últimos anos estão a edição de normas de referência para os quatro componentes do saneamento básico: limpeza urbana, manejo de resíduos sólidos, drenagem e manejo de águas pluviais urbanas. Também em 2025, a agência estabeleceu regulação para redução progressiva e controle de perdas de água, que trata sobre planos de gestão de perdas e padroniza indicadores como referência para órgãos municipais e estaduais de fiscalização dos serviços públicos de água e esgoto, as Entidades Reguladoras Infranacionais (ERI).
"Reduzir perdas significa aproveitar melhor a água já produzida, diminuir desperdícios e ampliar eficiência sem pressionar desnecessariamente os mananciais", explica Anderáos sobre a iniciativa que considera central para a segurança hídrica do país.
A agência também elaborou norma sobre reuso não potável de água proveniente de efluentes sanitários tratados, um tema transversal ao saneamento e recursos hídricos que traz sustentabilidade na forma cíclica de uso da água. Um exemplo prático é o tratamento de água usada em banheiros e cozinhas para uso em irrigação paisagística e agrícola, recarga de aquíferos, lavagens de ruas e veículos.
Outras regulações destacadas pelo gestor foram a criação de metas progressivas de universalização de água e esgoto e a norma que trata da governança das ERI. "Para o setor brasileiro, isso reforça uma mensagem importante, que em um ambiente federativo e fragmentado como o nosso, melhorar a prestação dos serviços depende de coordenação, referências nacionais, previsibilidade contratual e redução de incertezas regulatórias", afirma Anderáos.
Os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico 2025 (Sinisa) apontam que, em 2024, a rede de abastecimento de água alcançou 84,1% da população brasileira e a rede de esgoto chegou a 62,3% da população. No mesmo ano, foram investidos R$ 14,59 bilhões em abastecimento de água e R$ 13,68 bilhões em esgotamento sanitário.
"Isso sugere um setor ainda em fase de expansão e consolidação, no qual o avanço regulatório ajuda a criar condições para que os investimentos se convertam em obras, operação e, ao longo do tempo, em aumento dos níveis de atendimento", explica Alexandre Anderáos sobre o cenário atual do saneamento no Brasil.
Além da ANA, concorrem na categoria Agência Pública a Korea Water Resources Corporation (K-Water), da Coreia do Sul; o Orange County Water District, dos Estados Unidos; a Sharakat, da Arábia Saudita; e a Suruhanjaya Perkhidmatan Air Negara (SPAN), da Malásia. A votação para a escolha dos premiados será feita por membros do GWI, e o resultado final deverá ser divulgado no dia 19 de maio.
A indicação da ANA ocorre em um contexto de alerta sobre a gestão dos recursos hídricos no Brasil, com entidades destacando preocupações como a perda das águas do Cerrado e a necessidade de fortalecimento do Sistema Nacional do Meio Ambiente até 2036. O reconhecimento internacional chega como um sinal de que as políticas brasileiras na área estão ganhando relevância no cenário global.

