A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta quarta-feira (21) a proibição total da comercialização, distribuição, fabricação, importação, divulgação e uso de medicamentos à base de tirzepatida das marcas Synedica e TG, e de retatrutida, de todas as marcas e lotes. Esses produtos, popularmente conhecidos como "canetas emagrecedoras do Paraguai", têm circulado no mercado brasileiro de forma irregular, oferecendo riscos à saúde da população.
Segundo a agência reguladora, esses medicamentos são produzidos por empresas desconhecidas e são vendidos principalmente através de perfis no Instagram "sem registro, notificação ou cadastro na Anvisa". A resolução que estabelece a proibição foi publicada no Diário Oficial da União e tem efeito imediato.
A Anvisa alerta que, por serem produtos irregulares e de origem desconhecida, "não há garantia sobre o seu conteúdo ou qualidade". Em seu comunicado oficial, a agência é enfática ao afirmar que essas canetas emagrecedoras não podem ser usadas "em nenhuma hipótese", já que não passaram pelos processos de avaliação de eficácia e segurança exigidos pela legislação brasileira.
Os medicamentos em questão contêm substâncias como tirzepatida e retatrutida, que são princípios ativos utilizados no tratamento de diabetes tipo 2 e que têm efeito colateral de redução de peso. No entanto, quando usados sem prescrição médica e controle adequado, podem causar efeitos adversos graves, incluindo problemas gastrointestinais, pancreatite e complicações renais.
Esta não é a primeira vez que a Anvisa emite alertas sobre esses produtos. Recentemente, a agência já havia chamado a atenção para os riscos das canetas emagrecedoras manipuladas e para anúncios falsos que circulam nas redes sociais. A Polícia Federal também desarticulou uma quadrilha que vendia canetas emagrecedoras clandestinas, demonstrando a dimensão do problema.
O comércio irregular desses medicamentos tem crescido significativamente nos últimos meses, aproveitando a busca por soluções rápidas para perda de peso. Muitos consumidores, atraídos por promessas de emagrecimento rápido, adquirem esses produtos sem saber dos riscos que estão correndo. A venda ocorre principalmente através de redes sociais, onde os vendedores não fornecem informações adequadas sobre contraindicações e possíveis efeitos colaterais.
A proibição da Anvisa abrange todas as etapas da cadeia, desde a fabricação até o consumo final. Qualquer estabelecimento ou pessoa física que continuar comercializando ou utilizando esses produtos estará sujeito às penalidades previstas na legislação sanitária, que incluem multas e até responsabilização criminal nos casos mais graves.
Para os consumidores que já adquiriram esses produtos, a recomendação da Anvisa é que interrompam imediatamente o uso e descartem as canetas de forma segura. Em caso de dúvidas ou para denunciar a comercialização irregular, a população pode entrar em contato com a Ouvidoria da Anvisa através dos canais oficiais da agência.
A medida reforça a importância de adquirir medicamentos apenas em farmácias e drogarias autorizadas, com prescrição médica e produtos registrados na Anvisa. A busca por tratamentos de emagrecimento deve sempre ser acompanhada por profissionais de saúde qualificados, que podem indicar as opções mais seguras e adequadas para cada paciente.

