A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) decidiu nesta quarta-feira (25) manter a chamada Gestão de Demanda Noturna (GDN) em 10 horas por dia, no período das 19h às 5h. A medida, que reduz a pressão da água durante a madrugada, segue em vigor como uma ação preventiva para preservar os reservatórios diante da aproximação do período seco e do desempenho hidrológico ainda abaixo do ideal.
A decisão foi tomada com base em recomendação do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, composto pela Arsesp e pela SP Águas, e em avaliação técnica das condições dos sistemas de abastecimento. O ponto que mais preocupa as autoridades é o Sistema Cantareira, responsável por 50% da disponibilidade hídrica do Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que abastece a Grande São Paulo.
"O Cantareira segue com níveis inferiores aos esperados para esta época do ano", explicou a Arsesp em comunicado. Isso indica a necessidade de manutenção das medidas de gestão da demanda, mesmo com alguma recuperação observada nos primeiros meses do ano.
Nos meses de janeiro e fevereiro, as chuvas trouxeram algum alívio. Janeiro registrou um volume de 22,7% no sistema, contra 20,2% em dezembro do ano passado. Em fevereiro, o acumulado de chuvas foi de 244,8 mm, superior à média histórica de 200,8 mm para o mês. No entanto, ao final de fevereiro, o volume útil do Cantareira atingiu apenas 35,8%, mantendo a operação na Faixa 3 (Alerta) – 12,5% inferior ao registrado na mesma data em 2021.
Apesar da melhora, a irregularidade das chuvas manteve os níveis dos reservatórios baixos para o período. Para abril e início de maio, a previsão indica chuvas fracas a moderadas, o que reforça a decisão pela manutenção das medidas de economia.
Atualmente, o Sistema Integrado Metropolitano apresenta uma reservação de 56,41%. Pela metodologia vigente, esse nível indicaria enquadramento na Faixa 1 de atuação, que prevê o Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA). No entanto, como medida preventiva, a redução da pressão no período noturno seguirá em 10 horas, com o objetivo de reforçar a segurança hídrica da região metropolitana.
O Comitê de Integração vem trabalhando no aprimoramento da metodologia de acompanhamento do cenário hídrico, com foco específico no Cantareira. Até que esses ajustes sejam concluídos e anunciados, a GDN será mantida no patamar atual de 10 horas, podendo ser revista a qualquer momento, conforme indicação técnica.
A implementação da Gestão de Demanda Noturna, iniciada em agosto do ano passado, já trouxe resultados significativos. A economia acumulada supera os 115 bilhões de litros de água. Para se ter uma ideia do volume, ele equivale ao consumo mensal das cidades de São Paulo, Guarulhos, São Bernardo do Campo, Mauá e Cotia, juntas.
A manutenção da medida reforça a mensagem de que, mesmo com a ocorrência de chuvas, a economia de água continua sendo fundamental para garantir a segurança hídrica da região mais populosa do país. A população deve manter os hábitos de consumo consciente, especialmente durante o período noturno, quando a pressão da rede é reduzida.

