O basquete brasileiro e mundial está de luto. Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do esporte, faleceu na tarde desta sexta-feira (17), em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. O atleta, que enfrentava um tumor cerebral há cerca de 15 anos, passou mal em sua residência e foi encaminhado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA) pelo Serviço de Resgate, mas chegou à unidade sem vida, em parada cardiorrespiratória (PCR).

Segundo a assessoria do jogador, a despedida será realizada de forma reservada, restrita aos familiares, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento. Em nota, a assessoria destacou: "Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo".

A notícia da morte de Oscar Schmidt repercutiu imediatamente. O Ministério do Esporte emitiu uma nota lamentando a perda, afirmando que o jogador "inspirou gerações". Nas redes sociais e na imprensa, a comoção foi geral, com homenagens de ex-colegas, torcedores e personalidades do esporte, que relembraram não apenas o atleta excepcional, mas também o homem carismático e acessível.

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Nascido Oscar Daniel Bezerra Schmidt em 16 de fevereiro de 1958, em Natal, no Rio Grande do Norte, o futuro ídolo descobriu o basquete aos 13 anos, após se mudar para Brasília. Foi influenciado pelo técnico Zezão e começou a treinar no Clube Vizinhança, sob orientação de Laurindo Miura. Aos 16 anos, mudou-se para São Paulo para ingressar no infanto-juvenil do Palmeiras, dando início a uma carreira que o tornaria uma lenda.

Na seleção brasileira, Oscar brilhou desde cedo. Convocado para a seleção juvenil em 1977, foi eleito melhor pivô do sul-americano juvenil. Na principal, foi campeão sul-americano e conquistou medalha de bronze em competições internacionais. Em 1979, alcançou um dos títulos mais importantes de sua carreira: a Copa William Jones, o mundial interclubes de basquete.

Mas foi nas Olimpíadas que Oscar Schmidt consolidou sua fama mundial. Disputou cinco edições dos Jogos: Moscou (1980), Los Angeles (1984), Seul (1988), Barcelona (1992) e Atlanta (1996). Em todas, se destacou como o maior cestinha da competição, um feito que o tornou conhecido internacionalmente e rendeu comparações com grandes nomes como Michael Jordan, com quem inclusive posou para fotos que se tornaram icônicas.

No cenário internacional, Oscar jogou 11 temporadas na Itália, oito pelo Juvecaserta e três pelo Pavia, onde se tornou uma lenda também no basquete europeu. Em 1995, decidiu retornar ao Brasil, passando a jogar no Corinthians, onde conquistou, em 1996, o oitavo título brasileiro de sua carreira. Ainda atuou por Banco Bandeirantes, Mackenzie e, finalmente, Flamengo, onde, entre 1999 e 2003, alcançou uma das marcas mais expressivas de sua trajetória: tornou-se o maior cestinha da história do basquete, com 49.737 pontos, superando o recorde anterior de Kareem Abdul-Jabbar, que tinha 46.725 pontos.

O reconhecimento internacional veio em 1991, quando foi nomeado um dos 50 Maiores Jogadores de Basquete pela Fédération Internationale de Basketball (Fiba). Posteriormente, também integrou o Hall da Fama da NBA, honraria máxima do basquete mundial. Em 2003, aos 45 anos, Oscar se aposentou das quadras, mas nunca deixou o esporte de lado.

Após a aposentadoria, dedicou-se a palestras, atividade que, segundo ele, o mantinha conectado com o público e repunha, em parte, a energia das quadras. Em 2022, aos 64 anos, recebeu a equipe do Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, em sua casa em São Paulo. Em meio a uma sala repleta de medalhas e troféus, falou sobre essa nova fase: "Eu não acho que eu tenho 64 anos. Eu vivo minha vida intensamente, mas por outro lado, calmamente", declarou. E completou: "Eu adoro fazer palestra que eu vejo os olhos das pessoas olhando assim para mim, batendo palma. E eu estou contando a minha história para eles. Isso repõe, em parte, tudo aquilo que eu perdi parando de jogar".

Oscar Schmidt deixa um legado que vai muito além dos números e títulos. Sua história de superação, desde os tempos de garoto em Natal até se tornar uma lenda global, sua dedicação ao esporte e sua personalidade marcante fizeram dele um ícone não apenas do basquete, mas do esporte brasileiro como um todo. Sua morte aos 66 anos encerra um capítulo brilhante, mas sua inspiração permanecerá viva para as gerações que cresceram vendo "Mão Santa" em ação.