O Instituto Butantan, órgão vinculado ao Governo do Estado de São Paulo, anunciou nesta segunda-feira (9) um pacote histórico de investimentos de R$ 1,8 bilhão para ampliar e modernizar sua capacidade de produção de vacinas e soros destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). O evento, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades, também marcou o início simbólico da vacinação contra a dengue com a Butantan-DV, primeira vacina de dose única do mundo contra os quatro sorotipos da doença.

Os recursos serão aplicados em quatro grandes projetos dentro da área fabril já existente do instituto: construção de uma fábrica de vacina tetravalente contra o Papilomavírus Humano (HPV); reforma da unidade de produção com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA); construção de nova fábrica para produção do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) da vacina DTPa (contra difteria, tétano e coqueluche); e reforma do prédio de produção de soros com criação de nova área de envase e liofilização.

"Os investimentos fortalecem a autonomia tecnológica do Instituto Butantan e ampliam a capacidade de resposta da saúde pública, com produção nacional de vacinas. É São Paulo liderando o desenvolvimento de biotecnologias estratégicas para o país", celebrou o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, durante a cerimônia que incluiu assinatura simbólica da liberação dos recursos.

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O financiamento virá de aproximadamente R$ 1,4 bilhão do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, e cerca de R$ 400 milhões em contrapartida estadual, administrados pela Fundação Butantan. "Ampliar o acesso dos brasileiros à saúde é nossa missão. Esses investimentos permitirão que possamos diversificar e aumentar nosso fornecimento ao SUS de produtos essenciais", afirmou Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan.

O diretor destacou ainda que o instituto chega aos 125 anos "se tornando parte central do processo de busca por autossuficiência na produção de imunobiológicos no Brasil". Entre os projetos, a nova planta para produção de IFA da vacina contra HPV terá capacidade para 20 milhões de doses anuais, atendendo a uma necessidade crítica de saúde pública, já que o vírus está associado a diversos tipos de câncer, incluindo o de colo do útero.

A unidade de mRNA, com capacidade para 15 milhões de doses, representa um salto tecnológico importante. Diferentemente das vacinas convencionais, produzidas a partir do agente infeccioso morto ou atenuado, a vacina de mRNA utiliza parte da sequência genética do agente infeccioso de forma sintética. Inicialmente, essa plataforma será usada para desenvolver vacinas contra Covid-19 e raiva.

Já a nova fábrica de IFA para vacina DTPa permitirá produção anual de 6 milhões de doses da tríplice bacteriana acelular tipo adulto e 1 milhão de doses da vacina DT. A reforma da unidade de soros dobrará a capacidade produtiva, passando de 600 mil para 1,2 milhão de frascos anuais, com nova área de envase capaz de processar 5,2 milhões de frascos na forma líquida e 7,1 milhões de doses liofilizadas.

Paralelamente aos anúncios de investimento, o evento celebrou o início da vacinação contra dengue com a Butantan-DV, desenvolvida integralmente pelo instituto paulista. São Paulo se tornou o primeiro estado a iniciar a imunização com a vacina de dose única, começando pelos profissionais da atenção primária à saúde. As primeiras aplicações foram realizadas nas agentes comunitárias de saúde Lucimeire Francisca Coelho e Francisca Raquel de Oliveira, nas dependências do próprio Butantan.

Para esta fase inicial, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) enviou 99 mil doses ao estado, com estimativa de imunizar cerca de 216 mil profissionais da atenção básica, incluindo médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e agentes de endemias. "É emocionante para todos que trabalhamos no desenvolvimento dessa vacina vê-la chegar aos braços dos profissionais de saúde, que estão na linha de frente da luta contra as doenças", afirmou Kallás, destacando que a Butantan-DV é "um marco histórico da ciência brasileira que começa a mostrar impacto real no dia a dia da população".

Os investimentos anunciados representam um passo significativo na direção da soberania nacional em produção de imunobiológicos, fortalecendo a capacidade do SUS de responder a demandas de saúde pública com tecnologia desenvolvida e produzida no Brasil. As obras devem ampliar consideravelmente a oferta de vacinas estratégicas para a população brasileira, reduzindo dependência de importações e acelerando o acesso a imunizantes de última geração.