As altas temperaturas previstas para esta semana no estado de São Paulo acendem um alerta vermelho para a prevenção da dengue. O calor favorece o ciclo de reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, aumentando significativamente o risco de proliferação quando há água parada. Com o termômetro subindo, a população precisa redobrar os cuidados dentro de casa e nos arredores.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) reforça que a principal forma de prevenção continua sendo a eliminação de possíveis criadouros. Pequenos recipientes com água acumulada, como tampinhas de garrafa ou pratos de vasos, já são suficientes para a reprodução do mosquito. "Mesmo pequenas quantidades de água parada podem se transformar em criadouros do mosquito. A vistoria semanal em casa é essencial para reduzir os riscos e evitar novos casos da doença", orienta a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da SES-SP, Tatiana Lang.
Para evitar que casas e apartamentos se transformem em focos do Aedes aegypti, a secretaria divulga uma série de orientações práticas. É fundamental colocar o lixo em sacos plásticos e manter a lixeira sempre fechada, remover folhas e outros materiais que possam impedir a passagem da água pelas calhas, e encher os pratos dos vasos de plantas com areia até a borda. Além disso, recomenda-se trocar a água e lavar o vaso das plantas aquáticas com escova, água e sabão pelo menos uma vez por semana, manter garrafas e recipientes que possam acumular água sempre virados para baixo, e manter as caixas-d’água bem fechadas. O descarte correto de objetos que acumulam água, como embalagens usadas, também é crucial.
Também é fundamental redobrar a atenção após períodos de chuva, quando o acúmulo de água em locais como pneus velhos, baldes e brinquedos pode passar despercebido. A combinação de calor e umidade cria o ambiente ideal para a proliferação do mosquito.
Além das ações de prevenção, o monitoramento dos casos segue sendo realizado em todo o estado. Até terça-feira (17), segundo dados da pasta, 15.744 casos de dengue foram confirmados em todo o estado de São Paulo, com seis óbitos registrados. Para conferir os casos diariamente, a população pode acessar o Painel de Arboviroses – Dengue. Com relação à chikungunya, outra doença transmitida pelo mesmo mosquito, até o momento foram confirmados 315 casos e dois óbitos, com dados disponíveis no Painel de Arboviroses – Chikungunya.
É preciso estar atento aos sintomas da dengue, que podem começar repentinamente e duram entre cinco e sete dias. Os principais sinais incluem febre alta (39° a 40°C), dor no corpo e articulações, dor atrás dos olhos, mal-estar, falta de apetite, dor de cabeça e manchas vermelhas no corpo. Em casos graves, podem ocorrer hemorragias e dor abdominal, principalmente em crianças. Ao apresentar esses sintomas, é importante buscar atendimento médico imediatamente.
Para combater a desinformação, o Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, lançou o portal "Dengue 100 Dúvidas". A ferramenta reúne as cem perguntas mais frequentes sobre dengue, zika e chikungunya nos buscadores da internet, desmistificando as fake news que circulam nas redes sociais e orientando a população sobre as doenças. O acesso está disponível no link: www.dengue100duvidas.sp.gov.br.
Enquanto isso, a vacina da dengue do Instituto Butantan mantém 80,5% de eficácia contra casos graves após cinco anos, conforme estudos recentes. A imunização é uma aliada importante, mas não substitui os cuidados básicos de eliminação de criadouros, que continuam sendo a medida mais eficaz para conter a propagação do Aedes aegypti.

