O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, deu início neste domingo (18) à campanha de vacinação em massa contra a dengue na cidade paulista de Botucatu, marcando o começo de uma estratégia nacional que utiliza o primeiro imunizante do mundo em dose única desenvolvido com tecnologia 100% nacional pelo Instituto Butantan. A vacina Butantan-DV representa um marco na saúde pública brasileira e inicia sua aplicação em três municípios-piloto antes de ser expandida para todo o país.
A estratégia piloto, que também inclui as cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) a partir deste fim de semana, tem como objetivo avaliar a efetividade da imunização, o impacto na população e a circulação do vírus na comunidade. "Esse é o primeiro passo da vacina do Butantan no nosso calendário de vacinação da dengue", declarou o ministro durante o lançamento em Botucatu.
De acordo com o Ministério da Saúde, as três cidades foram escolhidas por terem população entre 100 mil e 200 mil habitantes, pelo histórico positivo de vacinação e pela proximidade a grandes regiões metropolitanas. Nesta primeira etapa, serão distribuídas 204,1 mil doses entre os municípios: 80 mil para Botucatu, 60,1 mil para Maranguape e 64 mil para Nova Lima.
O ministro Padilha explicou que a meta é vacinar 40% da população na faixa etária estabelecida de 15 a 59 anos. "Nossa meta é chegar o mais rápido possível a cobrir essa população de 15 a 59 anos e, com isso, confirmar o que os estudos projetam. Se a gente chegar a 40 a 50% da população vacinada, além de proteger cada indivíduo que se vacina, essa vacina tem um forte impacto no controle da doença na cidade como um todo", afirmou.
Esta é a segunda vez que Botucatu participa de uma vacinação em massa para avaliar a efetividade de uma vacina. Em maio de 2021, a cidade foi pioneira na vacinação contra a covid-19 com o imunizante da AstraZeneca/Oxford/Fiocruz, que teve impacto positivo nas internações hospitalares. Para a escolha do município paulista, pesou o fato de o estado de São Paulo ter sido a unidade da federação que mais concentrou casos de dengue no ano passado e também onde teve maior circulação do dengue tipo 3.
"Como circulou dengue tipo 3 aqui, no estado de São Paulo, é uma grande oportunidade para a gente avaliar o impacto que essa vacina vai ter na dengue tipo 3, na possibilidade de controlar rapidamente a dengue na cidade", explicou Padilha.
Em Botucatu, a prefeitura disponibilizou 28 pontos de vacinação, incluindo Unidades Básicas de Saúde (UBS) e outros pontos estratégicos pela cidade. Para evitar aglomerações, foi estabelecido um esquema de horários: pessoas de 35 a 59 anos devem comparecer pela manhã (8h às 12h30), enquanto jovens de 15 a 34 anos devem se vacinar no período da tarde (12h30 às 17h). Menores de 18 anos precisam estar acompanhados por um responsável legal.
A vacina Butantan-DV, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), protege contra os quatro sorotipos da doença (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). O estudo clínico do imunizante, realizado entre 2016 e 2024 com mais de 16 mil voluntários de 14 estados brasileiros, comprovou eficácia de 74% contra casos gerais de dengue, mais de 91% contra casos graves e 100% contra hospitalizações por dengue.
Desenvolvida a partir de uma parceria articulada pelo Ministério da Saúde com a empresa chinesa WuXi Vaccines, a vacina utiliza tecnologia de vírus vivo atenuado. Enquanto isso, para o público de 10 a 14 anos, continua sendo ofertada a vacina internacional QDenga, de produção japonesa, com esquema de duas doses, disponível exclusivamente em Unidades Básicas de Saúde (UBS) nos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
As doses distribuídas nesta fase inicial fazem parte das 1,3 milhão de doses já produzidas pelo Instituto Butantan, que prepara a expansão da vacinação conforme os resultados desta estratégia piloto forem avaliados pelo Ministério da Saúde, a Prefeitura de Botucatu, a Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu e pelo próprio Instituto Butantan, responsáveis pelo desenvolvimento do estudo.

