O coração da maior cidade do Brasil respira novos ares de segurança. A região central de São Paulo registrou em 2025 o menor número de roubos desde 2001, quando a Secretaria de Segurança Pública (SSP) começou a compilar os dados históricos. O feito representa uma virada de jogo impressionante, especialmente quando se olha para trás e se vê que 2022 foi justamente o ano com o pior resultado da série: 9,2 mil ocorrências.

A mudança de rota começou a ser desenhada com a chegada da atual gestão, que apostou em uma abordagem integrada, misturando as áreas de segurança, saúde e desenvolvimento social. A fórmula, aparentemente simples na teoria mas complexa na execução, mostrou resultados práticos e mensuráveis. As ocorrências, que estavam em alta, começaram a cair: foram 8.019 em 2023, despencaram para 4.492 em 2024 e chegaram ao mínimo histórico de 3.366 registros em 2025. Os números englobam roubos em geral, incluindo os casos atendidos pelo 77º DP (Santa Cecília) e 3º DP (Campos Elíseos), abarcando também roubos a carga e roubos de veículos.

"Alcançar o menor índice de roubos em 25 anos no centro de São Paulo demonstra que a estratégia adotada está no caminho certo", afirmou o secretário de Segurança Pública, Nico Gonçalves. Ele destacou que o trabalho integrado, somado à presença permanente do estado e a ações coordenadas, foi a chave para virar o jogo em um cenário que era considerado crítico. A ideia era garantir mais segurança de forma consistente para a população que vive, trabalha e circula pela região.

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O combate ao crime não veio sozinho. Uma das faces mais visíveis dessa transformação foi o fim da chamada Cracolândia, a principal cena aberta de uso de drogas do país, que por décadas foi um símbolo da degradação e da insegurança no centro paulistano. Em janeiro, a região completou oito meses sem essa presença marcante, um marco conquistado por uma atuação articulada das forças de segurança. Os números dessa ofensiva são robustos: desde 2023, mais de 21,6 mil pessoas foram presas, 13,4 toneladas de drogas foram apreendidas, 682 armas saíram de circulação e cerca de 2 mil veículos foram recuperados na área central.

Mas a estratégia do Governo de São Paulo foi além das abordagens policiais. Paralelamente ao combate ao tráfico, foi criada a Linha de Cuidados Integral a Adultos com Necessidades Relacionadas ao Uso de Crack, Álcool e outras Drogas. Essa iniciativa viabilizou uma verdadeira jornada de cuidados para os dependentes químicos que frequentavam a Cracolândia. A ação ampliou leitos, criou serviços de acolhimento terapêutico e implementou ações preventivas. Tudo isso foi consolidado em uma central de dados, garantindo que a política pública tivesse continuidade, pudesse ser aprimorada constantemente e tivesse sua eficácia avaliada de perto.

Quem sente no dia a dia a transformação são pessoas como o comerciante Marcone Moraes, que tem uma padaria no centro. "As políticas públicas do governo de São Paulo atenuaram a sensação de insegurança que existia e isso fez com que a região se transformasse", disse ele. "É uma esperança que deram para nós. Quem vem aqui hoje, vê a transformação". O relato de Moraes vai ao encontro do que os números mostram: a região está se reinventando, deixando para trás décadas marcadas por violência e exclusão social.

O processo de requalificação do centro de São Paulo ganha ainda mais força com projetos de revitalização urbana. Uma das iniciativas de maior impacto é a mudança da sede administrativa da gestão da zona sul da capital para a região central. Com investimentos estimados em R$ 6 bilhões, o projeto prevê a construção, na região dos Campos Elíseos, de sete edifícios e dez torres que vão concentrar o gabinete do governador, além das secretarias e órgãos estaduais. A medida não é apenas simbólica; ela deve injetar nova vida econômica e social na área, atraindo serviços, comércio e pessoas.

A soma de todos esses fatores – a queda expressiva nos roubos, o desmonte da Cracolândia, a criação de uma rede de cuidados para dependentes químicos e os projetos de revitalização – está desenhando uma nova perspectiva de futuro para o centro de São Paulo. A região, que por tanto tempo foi sinônimo de abandono e perigo, vive agora um momento de esperança e transformação, mostrando que é possível reverter cenários críticos com planejamento, integração entre políticas públicas e ação coordenada do estado.