A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) deu um passo decisivo para a mobilidade paulista ao emitir, nesta segunda-feira (30), a licença prévia que atesta a viabilidade ambiental da nova ligação Anchieta-Imigrantes. Com 21,6 quilômetros de extensão, o projeto promete conectar a Grande São Paulo à Baixada Santista, ampliando a segurança viária, melhorando o acesso ao Porto de Santos e gerando ganhos logísticos significativos.
O traçado terá início no km 43 da Rodovia dos Imigrantes e seguirá até o km 265 da Rodovia Cônego Domênico Rangoni, nas proximidades do polo industrial de Cubatão. A expectativa é de um aumento de cerca de 145% na capacidade de escoamento de cargas no trecho de serra, um alívio para a logística de um dos corredores mais importantes do país.
A proposta, executada pela concessionária Ecovias, foi analisada a partir do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) e recebeu manifestação favorável do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) na última quarta-feira (25). Considerado um dos mais complexos do país do ponto de vista de engenharia, cerca de 81% do percurso será construído em túneis — uma solução que reduz intervenções na superfície e minimiza interferências ao longo do trajeto, inclusive em áreas de vegetação nativa.
Para garantir a execução com segurança ambiental, a Cetesb — vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) — estabeleceu um conjunto rigoroso de condicionantes. Entre elas estão o monitoramento contínuo da biodiversidade, a proteção de mananciais estratégicos, o controle técnico das escavações e medidas voltadas à preservação dos recursos hídricos ao longo de todo o traçado.
O diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo, destacou a importância do acompanhamento técnico. “O licenciamento ambiental oferece segurança e previsibilidade, permitindo que obras desse porte avancem com responsabilidade e tragam benefícios concretos para mobilidade, economia e meio ambiente”, afirmou.
Para viabilizar o licenciamento, a Companhia mobilizou equipes multidisciplinares, com geólogos, engenheiros, biólogos e outros especialistas que acompanharam desde a fase inicial cada etapa de definição do traçado e das soluções construtivas. A construção deve movimentar cerca de 4 milhões de metros cúbicos de solo e rocha — volume equivalente a aproximadamente 1.600 piscinas olímpicas.
Com a emissão da licença prévia, o projeto segue agora para as próximas etapas do licenciamento, que incluem as fases de instalação e operação. A nova ligação Anchieta-Imigrantes se consolida, assim, como uma obra de infraestrutura que busca equilibrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental, pavimentando o futuro do transporte entre a capital e o litoral paulista.

