A confiança dos empresários da indústria brasileira segue em queda livre e atingiu, em abril, o pior patamar desde junho de 2020, no auge da pandemia de covid-19. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), recuou 1,4 ponto neste mês, chegando a apenas 45,2 pontos. Esta é a terceira queda consecutiva do indicador, que agora está no nível mais baixo em quase quatro anos.
O cenário é preocupante porque o Icei permanece abaixo da linha dos 50 pontos – que separa a confiança da falta de confiança – há nada menos que 16 meses seguidos. Segundo a CNI, isso evidencia um ambiente persistente de pessimismo entre os industriais desde o início de 2025, com poucos sinais de reversão no curto prazo.
De acordo com a entidade, a queda recente está associada a uma combinação de fatores desfavoráveis. Os juros elevados seguem pesando no bolso das empresas, a demanda por bens industriais desacelera e o cenário externo se agrava, com incertezas geopolíticas que afetam o comércio global. Além disso, a alta nos preços do petróleo tem pressionado os custos de produção, reduzindo ainda mais as margens de lucro.
“A piora do ambiente internacional e o aumento de custos têm intensificado o pessimismo em 2026”, explicou em nota Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI. A declaração reforça que as perspectivas para o próximo ano também não são animadoras, indicando que a recuperação pode ser mais lenta do que se esperava.
Os dois principais componentes do Icei apresentaram queda em abril. O índice de condições atuais recuou 1,6 ponto, para 40,5 pontos, o que mostra uma avaliação mais negativa dos empresários sobre a situação atual das suas empresas e da economia como um todo. Já o índice de expectativas caiu 1,2 ponto, para 47,6 pontos, sinalizando projeções desfavoráveis para os próximos seis meses.
A pesquisa, que ouviu 1.070 empresas entre os dias 1º e 8 de abril – incluindo indústrias de pequeno, médio e grande porte – reflete um mal-estar generalizado no setor. Enquanto a indústria até conseguiu faturar 4,9% a mais em fevereiro, na comparação com o mês anterior, ela continua em queda na comparação anual, mostrando que o problema é estrutural e não apenas sazonal.
Outros fatores que contribuem para o cenário desanimador incluem as emendas parlamentares e os juros da dívida, que apertam os investimentos públicos e limitam a capacidade do governo de estimular a economia. Além disso, a última ata do Copom não indicou mais cortes na taxa de juros, mantendo o custo do crédito em patamares elevados e dificultando o planejamento das empresas.
Em resumo, a indústria brasileira enfrenta uma tempestade perfeita: custos em alta, demanda fraca, juros altos e um cenário externo incerto. Com a confiança em níveis tão baixos, a retomada do crescimento econômico pode ficar ainda mais distante, exigindo medidas urgentes para reverter esse ciclo de pessimismo que já dura mais de um ano.

