Aos 37 anos, Kátia Fernandes, moradora de São Bernardo do Campo, encontrou nas agulhas, linhas e tecidos algo que ia muito além de uma nova habilidade profissional: encontrou um fio de esperança para costurar os pedaços de uma vida interrompida por um tratamento oncológico. A oportunidade concreta de recomeço veio por meio da Escola de Qualificação Profissional, uma iniciativa do Fundo Social de São Paulo, onde ela se inscreveu no curso de corte e costura, na área de moda.

O primeiro contato com o programa aconteceu por meio de um incentivo familiar. "Pela dificuldade do tratamento, eu quis aprender algo novo", relembrou Kátia, que ainda estava em processo de recuperação quando decidiu se matricular. A iniciativa surgiu como uma forma de se reconectar com uma rotina e explorar caminhos que, até então, eram desconhecidos.

Sem nunca ter pegado em uma máquina de costura antes, a aluna se surpreendeu com a própria evolução. "É um mundo totalmente novo. Nunca passou pela minha cabeça costurar. Agora, estou tendo a oportunidade de usar peças no meu bebê ou em mim que foram criadas e aperfeiçoadas por mim. Eu descobri uma paixão", contou, com entusiasmo. A sala de aula se transformou em um espaço de descoberta e superação, onde cada ponto dado era um passo para longe de um passado difícil.

Publicidade
Publicidade

A vivência no curso ajudou Kátia a ressignificar um período marcado por medo e incerteza. Ela relembra o momento do diagnóstico com clareza: "No dia do meu aniversário tive a descoberta de que era agressivo (o câncer) e, naquele momento, eu pensei: os meus planos foram frustrados". A notícia, recebida em uma data que deveria ser de celebração, parecia ter cortado os fios de seus projetos futuros.

Hoje, no entanto, a história é outra. Com a experiência adquirida no curso, Kátia já projeta novos caminhos e recupera a capacidade de sonhar. "É uma esperança diária. Agora eu estou bem. Estou em remissão e fazendo planos de novo e um deles é, através da costura, poder fazer turbantes", revelou. O plano de confeccionar turbantes simboliza não apenas uma possibilidade de geração de renda, mas também um gesto de acolhimento e identidade, muitas vezes significativo para mulheres que passam por tratamentos contra o câncer.

A trajetória de Kátia se soma a mais de 1,1 mil histórias de pessoas qualificadas nos dois primeiros ciclos do programa, realizados entre janeiro e fevereiro deste ano. A iniciativa das Escolas de Qualificação Profissional oferece cursos gratuitos em diversas frentes, como moda, beleza, gastronomia, informática, construção civil e administração. As aulas acontecem nas Praças da Cidadania, em unidades dos Centros de Integração da Cidadania (CICs) e em entidades parceiras, na capital e em municípios da Grande São Paulo, com formações que duram de uma a quatro semanas.

Para quem, como Kátia, busca um recomeço ou uma nova direção profissional, o programa se apresenta como uma porta de entrada. Mais informações sobre cronogramas, inscrições e municípios atendidos estão disponíveis no site do Fundo Social de São Paulo. Enquanto isso, em São Bernardo do Campo, uma nova costureira planeja seu próximo ponto, provando que, às vezes, é possível tecer um futuro novo a partir dos fios de um recomeço.