O número de municípios do Rio Grande do Sul que relatam problemas no abastecimento de óleo diesel subiu para 166, segundo boletim da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) divulgado nesta quarta-feira (25). Os dados, atualizados até as 9h do mesmo dia, mostram um aumento significativo em relação à última quinta-feira (19), quando 142 cidades estavam na mesma situação.

A Famurs detalha que recebeu retorno à consulta de 384 dos 497 municípios gaúchos, o que significa que os 166 atingidos representam aproximadamente um terço das cidades do estado. A capital, Porto Alegre, não consta como afetada, mas a situação em outras localidades é considerada grave. Dois municípios, Formigueiro e Tupanciretã, já decretaram estado de emergência devido à escassez.

De acordo com a federação gaúcha, os sinais de desabastecimento acendem "um sinal de alerta para o funcionamento dos serviços essenciais nas cidades". As prefeituras estão sendo forçadas a direcionar o pouco combustível disponível para áreas prioritárias, como serviços de saúde e transporte de pacientes. Como consequência, obras públicas e outras atividades que dependem de maquinário pesado foram suspensas em diversas localidades.

Publicidade
Publicidade

O óleo diesel é o principal combustível para veículos essenciais como caminhões, ônibus e tratores, tornando sua falta especialmente crítica para a economia local e para a prestação de serviços básicos à população. A situação tem reflexos diretos no dia a dia dos gaúchos, desde o transporte público até o abastecimento de mercadorias.

A Agência Brasil solicitou esclarecimentos à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão regulador do setor, mas não recebeu retorno até a conclusão da reportagem. Na ocasião do último balanço, que apontava 142 cidades afetadas, a ANP havia informado que o cenário era de que "não havia falta de produtos, mas questões logísticas".

Enquanto isso, a própria ANP continua atuando na fiscalização da cadeia de comercialização dos combustíveis, visitando postos e distribuidoras em todo o país. Recentemente, a agência autuou 11 empresas por indícios de preços abusivos durante operações de fiscalização.

Os problemas no abastecimento de diesel nas cidades gaúchas e o aumento do preço do combustível em diversas partes do Brasil são reflexos diretos da guerra no Oriente Médio, que afeta a cadeia global do petróleo. O óleo diesel é o derivado do petróleo que mais sente os impactos do cenário internacional, uma vez que o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome.

Desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, o preço do litro do óleo diesel no país subiu cerca de 20%, segundo dados da ANP. Essa alta nos custos internacionais tem pressionado o mercado brasileiro e criado dificuldades logísticas para garantir o abastecimento regular em todas as regiões.

O governo federal tem tomado medidas para atenuar o repasse da alta global ao consumidor final. Uma das principais ações foi a zeragem das alíquotas dos tributos federais que incidem sobre o diesel, o Pis e a Cofins. Além disso, o governo trabalha com uma subvenção às empresas (espécie de reembolso) de R$ 0,32 para cada litro de diesel produzido ou importado.

A Petrobras, principal fornecedora do país, chegou a reajustar o preço do óleo diesel em R$ 0,38 no último dia 14, mas, de acordo com a presidente da estatal, Magda Chambriard, o reajuste nas bombas foi suavizado pelas ações do governo federal. Há ainda propostas em discussão para que estados também colaborem com subsídios ao diesel, ampliando o esforço para manter o combustível acessível.

A situação permanece em monitoramento constante pelas autoridades, enquanto prefeituras gaúchas buscam alternativas para garantir o mínimo de funcionamento dos serviços essenciais. A crise do diesel revela a vulnerabilidade do país às oscilações do mercado internacional de petróleo e a importância de políticas públicas que protejam a população dos efeitos mais graves dessas instabilidades.