A história da Escola Estadual Parque dos Sonhos, em Cubatão, na baixada santista, é daquelas que inspiram. Conhecida há alguns anos como "Parque dos Pesadelos" por conta da violência e dos problemas de convivência, a unidade passou por uma transformação radical. Tanto que, em 2025, foi premiada como Melhor Escola do Mundo na categoria Superação de Adversidades pela organização T4 Education, que concede o "World's Best School Prizes". Agora, essa experiência bem-sucedida vai servir de modelo para um projeto ambicioso do Governo do Estado de São Paulo: a Rede Escola dos Sonhos.
O projeto, que será implantado ainda este ano em 100 escolas da rede pública estadual, tem como objetivo replicar iniciativas que deram certo em Cubatão e transformaram a realidade daquela comunidade escolar. A ideia é levar para outras unidades práticas de integração entre escola e comunidade, acolhimento, conexão, cultura de paz e autonomia dos professores.
"A Rede Escola dos Sonhos é uma iniciativa que visa fortalecer uma cultura de convivência baseada no cuidado, na responsabilidade compartilhada e na transformação das relações dentro das escolas", explicou o secretário estadual da Educação, Renato Feder. "O projeto replicará práticas bem-sucedidas na promoção de um clima escolar positivo, mediação de conflitos e participação estudantil."
A metodologia de implantação será guiada por três pilares, acompanhados pelo Conviva (Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar) da Secretaria de Educação: formação continuada para os profissionais; acompanhamento territorial para entender as realidades locais; e implementação de práticas pedagógicas e de convivência específicas.
"Todas as unidades estão passando por formação e acompanhamento do Conviva e terão autonomia para implantar seus próprios projetos ao longo de 2026, a partir de suas realidades e decisões de seus professores", detalhou Daniele Quirino, diretora do Conviva.
O caso de Cubatão é emblemático. A escola, que chegou a ter sérios problemas com invasões e conflitos, zerou o número de boletins de ocorrência após implementar um projeto de convivência que envolveu toda a comunidade. Hoje, são 21 projetos propostos e tocados pelos professores, frequentados pelos alunos. Entre eles, times de vôlei reconhecidos regionalmente, uma turma de patinação artística com campeãs estaduais e brasileiras, e o projeto "A Escola vai à sua Casa", em que professores visitam as famílias dos estudantes.
"Essa é uma escola que acolhe, que ouve os projetos dos professores e esses professores amam dar aulas para a gente", contou a estudante Ingrid Puppi Rodrigues, de 12 anos, do 7º ano, que frequenta a unidade desde o 1º ano e é campeã brasileira de patinação. "Com a patinação, aprendi a perder e a ganhar, a ter mais consciência, a lidar com as emoções e passei a me dedicar ainda mais aos estudos."
Para Vikas Pota, da T4 Education, o que acontece na Escola Parque dos Sonhos é "exatamente o motivo pelo qual o prêmio foi criado — para dar destaque a escolas extraordinárias que transformam vidas nas circunstâncias mais desafiadoras e garantir que suas inovações inspirem mudanças muito além de suas próprias salas de aula".
O diretor da escola de Cubatão, Regis Marques, vê a rede como uma oportunidade de ampliar esse impacto. "A Rede Escola dos Sonhos foi criada para provar que cada escola pode se tornar um lugar de esperança, pertencimento e futuro. Quando transformamos escolas, transformamos territórios, e quando os territórios se transformam, as sociedades mudam."
As 100 escolas selecionadas para integrar a rede inaugural estão distribuídas em 30 das 91 unidades regionais de ensino do estado, abrangendo regiões como a capital, Grande São Paulo e interior. A expectativa é que, a partir da experiência de Cubatão, essas unidades desenvolvam seus próprios caminhos para melhorar o clima escolar, a aprendizagem e a relação com a comunidade, escrevendo novas histórias de superação e sucesso na educação pública paulista.

