Neste 4 de abril, quando se marca o Dia Nacional do Parkinsoniano, neurologistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo fazem um alerta importante: o diagnóstico precoce da doença de Parkinson pode fazer toda a diferença na qualidade de vida dos pacientes. A doença, que atinge cerca de 8,5 milhões de pessoas em todo o mundo segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma condição neurológica degenerativa, crônica e progressiva que afeta o sistema nervoso central.

Os primeiros sinais costumam surgir a partir dos 60 anos, mas a especialista do Iamspe, Dra. Sonia Maria Cesar de Azevedo Silva, diretora do Serviço de Neurologia Clínica, explica que nem sempre o paciente apresenta todos os sintomas ao mesmo tempo. "Nem sempre o paciente apresenta os três problemas ao mesmo tempo. A presença de dois deles já pode levantar suspeita. É comum que um lado do corpo, geralmente um braço, fique mais lento ou com dificuldade para realizar atividades do dia a dia", comenta.

Os principais sintomas motores incluem tremores, lentidão dos movimentos (chamada de bradicinesia), rigidez muscular e perda de equilíbrio. Porém, a médica faz um alerta importante: "É importante destacar que o tremor, apesar de ser um dos sinais mais conhecidos, não está presente em todos os casos".

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Além dos sintomas motores, a doença de Parkinson também pode se manifestar por sinais não motores que muitas vezes passam despercebidos. Alterações do olfato, distúrbios do sono, constipação intestinal e sintomas depressivos são alguns desses indícios que podem aparecer antes mesmo dos problemas motores se tornarem evidentes.

O diagnóstico da doença é essencialmente clínico, baseado na avaliação dos sintomas pelo neurologista. Embora exames como a ressonância magnética possam ser solicitados para descartar outras condições com sintomas semelhantes, é a observação cuidadosa dos sinais que leva ao diagnóstico correto.

O tratamento do Parkinson no Iamspe segue protocolos atualizados que combinam medicamentos e reabilitação física. "No HSPE, utilizamos medicamentos considerados 'padrão-ouro', como os à base de levodopa associada à benserazida, e aqueles que ajudam a prolongar a ação da dopamina no organismo", explica a Dra. Sonia.

A especialista também destaca que o instituto conta com tecnologias avançadas como a Estimulação Cerebral Profunda, que consiste no envio de impulsos elétricos a núcleos neuronais alterados para regular a atividade sináptica. "Existem também outros meios, como o ultrassom focado", completa.

Apesar dos avanços no tratamento, as terapias atuais ainda são insuficientes para deter a progressão da doença. Por isso, o foco está no controle dos sintomas e na melhora da qualidade de vida dos pacientes. A doença está frequentemente associada ao envelhecimento, embora existam casos raros em pacientes mais jovens, e os sintomas costumam surgir de forma gradual - justamente o que dificulta a identificação precoce.

O alerta dos neurologistas do Iamspe neste Dia Nacional do Parkinsoniano é claro: conhecer os sinais iniciais da doença e buscar avaliação médica especializada o quanto antes pode fazer toda a diferença no manejo da condição e na manutenção da independência e qualidade de vida dos pacientes.