Nascida em Macaíba, no interior do Rio Grande do Norte, Andressa Mayara Costa Lopes, de 22 anos, vive em São Paulo há cerca de um ano. Recentemente, após realizar um teste neuropsicológico na capital paulista, ela recebeu um diagnóstico que mudou sua compreensão sobre si mesma: autismo nível 1 de suporte e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A notícia chegou como um alívio após anos de acompanhamento psiquiátrico que, durante a adolescência, havia identificado erroneamente um Transtorno de Personalidade Borderline.
"Chorei muito, foi libertador", desabafa Andressa, que não escondeu a felicidade ao providenciar sua Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CipTEA) em uma unidade do Poupatempo na Lapa, zona oeste de São Paulo. O local é um dos 27 espaços no estado equipados com salas sensoriais preparadas para atendimento individualizado de pessoas com TEA. A emissão do documento coincidiu com o terceiro aniversário da iniciativa em São Paulo, celebrado nesta quinta-feira (2), data que marca o Dia Mundial da Conscientização do Autismo.
A CipTEA, idealizada pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) e desenvolvida pela Secretaria de Gestão e Governo Digital (SGGD), tem como objetivos assegurar prioridade no atendimento, evitar a exposição desnecessária de laudos médicos e incentivar um maior acolhimento e respeito às necessidades específicas do TEA. Das 158,2 mil CipTEAs emitidas no estado, a maioria foi solicitada digitalmente, embora também seja possível fazer o pedido presencialmente nas unidades do Poupatempo.
Para o secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, o marco alcançado nesta semana simbólica reforça o impacto direto da iniciativa na vida da população. "Alcançar a marca de 158 mil Cipteas emitidas justamente na semana do Dia Mundial de Conscientização do Autismo reforça o compromisso do Estado com políticas públicas efetivas e permanentes", afirmou. "Estamos avançando não apenas na emissão de documentos, mas na construção de uma cultura de respeito, inclusão e reconhecimento das pessoas com TEA. A CipTEA e o selo veicular são instrumentos que promovem visibilidade, facilitam o atendimento e garantem mais dignidade às famílias paulistas."
Andressa compartilha que seu irmão também é autista, com nível 2 de suporte e TDAH, e recebeu diagnóstico tardio aos 10 anos. "Cresci acompanhando seu comportamento e percebia que algumas coisas batiam com a minha infância, como andar na ponta dos pés, ser sensível a sons muito altos, mas eu tinha medo de falar", lembra. "A certeza do diagnóstico muda a sua cabeça e você se identifica com a verdadeira causa."
Ao lado do namorado, Igor Freire, que a trouxe para morar em São Paulo, Andressa comemorou a emissão de sua CipTEA e saiu do Poupatempo com planos para o futuro. "Quero fazer faculdade de História ou Filosofia e ter mais independência no meu dia a dia", disse.
Paralelamente à CipTEA, o estado de São Paulo também desenvolveu o Selo de Identificação Veicular, criado para identificar veículos que transportam pessoas com TEA e alertar motoristas para que evitem buzinar ao se aproximarem desses carros. Em dois anos, foram emitidos 72 mil selos.
Para solicitar a CipTEA e o Selo de Identificação Veicular, os interessados podem optar pelo método online, acessando o portal https://ciptea.sp.gov.br/, preenchendo o cadastro e enviando os documentos necessários. Quando o pedido for aprovado, a CipTEA ficará disponível para download e/ou impressão. No formato presencial, não há necessidade de agendamento, e o atendimento está disponível em 27 unidades do Poupatempo, todas com salas sensoriais. A documentação exigida inclui documento de identidade do beneficiário e/ou responsável (se for o caso), foto 3×4 e laudo médico assinado e carimbado por profissional habilitado pelo Conselho Regional de Medicina, com o número do CRM.

