Na noite desta terça-feira (14), o cinema se transformou em uma verdadeira arquibancada para a pré-estreia do documentário Zico: O Samurai de Quintino, que mergulha na história de um dos maiores jogadores de futebol brasileiro. Nas 12 salas lotadas do complexo Downtown, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, a sessão tornou-se uma experiência sensorial que lembrou, em emoção e intensidade, o estádio do Maracanã.
O som das torcidas foi cuidadosamente trabalhado na mixagem do filme. A cada lance e memória revisitada, o público reagia como se estivesse diante de um clássico do futebol, demonstrando como a trajetória de Arthur Antunes Coimbra, o Zico, continua a mobilizar paixões décadas após seu auge nos gramados.
Após seis anos em produção, o documentário dirigido por João Wainer remonta a trajetória do ídolo desde o subúrbio de Quintino, no Rio, até as glórias com o Flamengo, passando pela experiência transformadora no Japão. O filme reúne arquivos inéditos, relatos familiares e depoimentos históricos que compõem um retrato multifacetado do atleta.
Para o diretor, a dimensão do personagem exigia uma abordagem à altura. "O Zico foi um samurai que encarnou em Quintino", disse Wainer durante a apresentação. A frase, nascida de uma brincadeira durante as pesquisas, acabou traduzindo o espírito do filme que conta uma história de disciplina, honra e pertencimento atravessando continentes.
Wainer também destacou a importância da família na narrativa, especialmente da esposa Sandra. "Ela tem uma importância muito grande na vida do Zico e no filme também. Quando você ouve a Sandra, a Zezé, ou até a Dona Matilde nos arquivos, há um frescor diferente", afirmou o diretor. A presença feminina é um dos eixos que sustentam o documentário, que ao revisitar álbuns guardados por décadas, constrói um retrato íntimo e afetivo do ídolo para além dos gramados.
O próprio Zico, ao comentar a experiência de assistir à própria trajetória na tela grande, não escondeu o impacto emocional. "Bateu emoção direto, o tempo todo. Você começa a lembrar de tudo o que aconteceu na sua carreira. Tem lances ali que eu vou ver dez vezes e vou chorar dez vezes", confessou o ex-jogador.
A partir da obra, o ídolo refletiu sobre os valores que compõem sua história, destacando o contraste com o presente. "A gente vive um momento muito de individualidade, de 'eu, eu, eu'. E eu sou do 'nós'. O filme mostra isso: amizade, ajuda, superação", afirmou Zico, definindo o tom coletivo que permeia sua trajetória.
Em tom bem-humorado, o ex-camisa 10 ainda lembrou sua relação com o Japão, onde atuou como jogador e técnico. "Que o flamenguista não fique chateado, mas o Flamengo foram 20 anos e o Japão foram 22", brincou, arrancando risos dos presentes na pré-estreia. O documentário revisita esse período marcante da carreira, quando Zico ajudou a estruturar o futebol japonês, percorrendo esse "segundo tempo" com a mesma atenção dedicada aos anos de glória no Brasil.
Com imagens raras, registros em Super-8, fitas VHS e objetos históricos, o filme constrói uma linha do tempo que dialoga com diferentes gerações. Participações de nomes como Ronaldo, Júnior e Carlos Alberto Parreira ampliam o olhar sobre o impacto do camisa 10, apresentando Zico não apenas como um ídolo esportivo, mas como símbolo de uma coletividade que transcende o futebol.
O longa-metragem, que promete emocionar tanto torcedores quanto aqueles que apreciam boas histórias de superação, estreia nos cinemas de todo o país no próximo dia 30 de abril, oferecendo ao público brasileiro a oportunidade de reviver ou conhecer uma das trajetórias mais marcantes do esporte nacional.

