O elefante-marinho Leôncio, que há 20 dias encantava moradores e turistas no litoral alagoano, foi encontrado morto nesta terça-feira (31). O animal, que estava desaparecido desde o dia 27, teve seu corpo localizado no final da tarde no povoado de Lagoa Azeda, em Jequiá da Praia. A confirmação foi feita pelo Instituto Biota de Conservação, que monitorava o mamífero marinho desde sua chegada à costa.
O Instituto Biota de Conservação emitiu uma nota informando que sua equipe estava se deslocando para recuperar o corpo e investigar as circunstâncias do óbito. "Nesse momento a nossa equipe está em deslocamento para recuperar o corpo e descobrir se é o mesmo animal e o que causou o óbito", disse a instituição. A expectativa é que os especialistas realizem exames para determinar se a morte foi natural ou se houve interferência humana.
Leôncio havia chegado ao litoral de Alagoas no dia 11 de março, escolhendo as areias das praias de Ipioca e Garça, em Maceió, e também Barra de Santo Antônio, em Paripueira, para descansar. O nome foi dado após uma campanha nas redes sociais que mobilizou a comunidade local, que acompanhava com curiosidade e afeto a presença do visitante inusitado.
Desde seu desaparecimento, no dia 27, uma equipe do Instituto Biota vinha realizando buscas intensivas pelo animal. Os pontos de monitoramento incluíam a praia do Gunga, no município de Roteiro, e o Pontal do Peba, em Piaçabuçu, no litoral sul do estado. A preocupação era ainda maior porque Leôncio estava em um processo natural de muda de pelagem, comum para a espécie, que pode levar de uma a quatro semanas.
Durante esse período de muda, os elefantes-marinhos costumam permanecer nas praias para descansar enquanto completam a troca de pelos. Por isso, a presença prolongada de Leôncio nas areias alagoanas era considerada normal pelos biólogos. No entanto, o animal foi alvo de perturbação por parte de alguns moradores e curiosos, o que levou o instituto a lançar um alerta pedindo respeito ao espaço do elefante-marinho.
"Enquanto ele esteve aqui, cumprimos nossa função no monitoramento, garantindo sua segurança e repouso e divulgando todos os cuidados necessários", destacou o Instituto Biota em sua nota. A instituição reforçou a importância de manter distância de animais silvestres em descanso, evitando aproximação, alimentação ou qualquer tipo de interação que possa causar estresse ou danos.
A morte de Leôncio levanta questões sobre a convivência entre humanos e fauna silvestre em áreas costeiras, especialmente em regiões turísticas como o litoral alagoano. Embora elefantes-marinhos não sejam comuns na costa brasileira, sua aparição ocasional serve como alerta para a necessidade de políticas de conservação e educação ambiental.
O caso também chama a atenção para o trabalho de instituições como o Instituto Biota, que atua na preservação de espécies marinhas no Nordeste. A recuperação do corpo e a análise das causas da morte devem fornecer informações valiosas sobre a saúde dos ecossistemas costeiros e os desafios enfrentados por animais que, como Leôncio, se aventuram fora de seus habitats usuais.

