O segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025 transcorreu sem maiores transtornos no Distrito Federal. Os portões dos locais de prova foram fechados pontualmente às 13 horas, seguindo o horário oficial de Brasília, meia hora antes do início das avaliações. Os candidatos, ansiosos pelas provas de matemática e ciências da natureza, chegaram com antecedência para evitar contratempos em um domingo de sol intenso.

Em todo o país, mais de 4,81 milhões de estudantes se inscreveram para participar do exame, considerado a principal ferramenta de acesso ao ensino superior no Brasil e também aceito por algumas instituições de ensino no exterior. Somente no Distrito Federal, mais de 82,9 mil candidatos estavam aptos a responder às 90 questões de matemática, química, física e biologia.

Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal e Territórios, até as 14 horas, poucas ocorrências exigiram intervenção policial. A maioria estava relacionada à perturbação do sossego em áreas próximas aos locais de prova, como no caso de um motorista que estava estacionado com o som do carro ligado em volume alto. Além disso, um aluno teve convulsões dentro da sala de aula, pouco antes do início das provas, e precisou ser atendido pelo Corpo de Bombeiros.

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Antecedência e ansiedade marcam preparação dos candidatos

A estudante universitária Luiza Jesus Matos, de 19 anos, chegou ao local de provas na Asa Norte, em Brasília, antes das 11 horas da manhã. Mesmo sendo a segunda vez que presta o Enem desde que concluiu o ensino médio no final de 2024, ela não escondia a ansiedade. "Estou me sentindo mais preparada que da primeira vez [no ano passado]. Mesmo assim, estou nervosa", contou Luiza à Agência Brasil.

A jovem precisou conciliar a preparação para o Enem com as aulas do segundo semestre do curso de Ciências Políticas em uma universidade privada de Brasília e com as do curso de Tecnologia em Eventos do Instituto Federal de Brasília. "Estudei para o Enem todos os dias sozinha. Assistia a vídeo-aulas e fazia resumos que, depois, eu repetia em frente ao espelho, para decorar o que aprendi", explicou.

Luiza admitiu estar ainda mais nervosa neste segundo dia do que no domingo anterior, quando os candidatos responderam a 90 questões de linguagens e ciências humanas e escreveram uma redação sobre as perspectivas do envelhecimento na sociedade brasileira. "Tenho mais dificuldades com matemática do que as humanas em geral. Daí, o nervosismo hoje. Se bem que, na semana passada, eu estava muito ansiosa em relação à redação. No fim, eu achei o tema bem de boa", concluiu.

A mãe de Luiza, a assistente social Chris de Jesus Nunes, acompanhou a filha para demonstrar apoio e tentar mantê-la calma. "Tem que levar na tranquilidade, ou não consegue fazer a prova", disse, reconhecendo que todo o processo é cansativo. "É um processo muito cansativo, tanto para eles [candidatos], quanto para a gente [parentes e cuidadores]. São muitas horas de estudo, se preparando".

Sol forte exige planejamento dos candidatos

Mesmo morando próximo ao local de provas, José Eduardo Nascimento, de 53 anos, preferiu chegar bem antes da abertura dos portões. Não apenas para evitar contratempos, mas também para não precisar se apressar sob o sol escaldante da capital federal, onde os termômetros chegaram aos 30ºC por volta do meio-dia. "É bom chegar com calma", afirmou Nascimento.

Dono de uma barbearia, Nascimento concluiu o ensino médio em 2010 e agora quer voltar aos bancos escolares para cursar Marketing. Para isso, frequentou aulas em um curso pré-vestibular comunitário do projeto Educação e Cidadania para Afrodescendentes e Carentes (Educafro), aproveitando todo o tempo livre para estudar. "Estudei bastante, focando principalmente na redação, que fizemos na semana passada. Como minha maior dificuldade é matemática, eu hoje estou um pouco mais ansioso, mas acho que vai dar tudo certo".

Enem como oportunidade de renda extra

Para a promotora Keyse Oliveira da Silva, de 24 anos, o Enem representa uma oportunidade de trabalho e renda extra. "Trabalho fazendo todo tipo de divulgação de marcas, promoções, recepções, eventos, buffet. No Enem, além de divulgar faculdades e cursinhos, também já trabalhei como fiscal de provas", contou a moradora de Sobradinho.

Ela revelou que algumas empresas chegam a pagar R$ 150 por diária, mais comissões por metas atingidas, que podem elevar os ganhos para R$ 300 ou mais. "Faço isto desde 2021, depois da pandemia da covid-19. E há muita gente que vive só disso. Porque não é só o Enem. Aqui, em Brasília, por exemplo, há muitos concursos públicos. Então, tem gente que mesmo tendo outros trabalhos, não perde a oportunidade de ganhar um dinheirinho extra aos finais de semana", acrescentou.

Treineiros buscam experiência para futuras tentativas

Além dos candidatos que buscam vagas no ensino superior, o Enem também reúne os chamados treineiros - estudantes que ainda não chegaram ao terceiro ano do ensino médio e se inscrevem no exame para adquirir prática. É o caso das amigas Cibele da Costa e Ana Kaori Ando, de 17 anos, que fizeram a prova na Universidade São Judas, na zona oeste de São Paulo.

"A expectativa é tentar acertar as questões que eu já estudei, já sei o conteúdo. Aí, nas que eu não sei, eu tento me virar com o que eu já sei", contou Cibele, que pretende tentar uma vaga em Direito em 2027.

As gêmeas Isabel e Ana Tavares, de 18 anos, também foram treineiras no Enem deste ano, pela segunda vez. Enquanto Ana pretende cursar uma formação em humanas, Isabel quer fazer biologia. "Acho muito importante pra saber como funciona a prova e também diminuir o nervosismo, porque todo mundo fica nervoso, né? Mas ter feito um ano antes ajudou muito para entender melhor como que é e também dar uma treinada a mais este ano", disse Isabel.

Enrico Madeira, de 17 anos, adotou a mesma estratégia no ano passado e chegou animado para concorrer a uma vaga em engenharia. "Fiz treineiro ano passado e essa vai ser minha segunda vez agora. Tenho mais facilidade em exatas, então, acho que esse segundo dia pra mim vai ser um pouco mais fácil. Então, eu tô vindo um pouco mais tranquilo. O que acho desse dia também é que, em geral, tem menos texto, é menos cansativo para realizar a prova", contou, visivelmente animado.