A partir de 2026, as escolas da rede estadual de São Paulo passarão por uma transformação significativa na sua estrutura administrativa. A Secretaria da Educação do Estado (Seduc-SP) estabeleceu que o número de gestores em cada unidade será diretamente proporcional ao total de alunos atendidos. Quanto maior o porte da escola, maior será o quadro de direção e coordenação pedagógica. A medida, publicada no Diário Oficial do Estado em 9 de dezembro, integra um pacote de ajustes administrativos com o objetivo claro de garantir mais eficiência e foco na melhoria dos índices de aprendizagem.

O novo modelo estabelece critérios bem definidos. Escolas com até 200 estudantes terão garantia de um quadro mínimo composto por um diretor, um coordenador pedagógico (CGP) e um gerente de organização escolar (GOE). Na faixa entre 201 e 500 alunos, a equipe ganha reforço com um vice-diretor. A partir de 501 matrículas, o número de gestores cresce progressivamente, podendo chegar ao triplo do atual em unidades com mais de 1.500 estudantes. Os detalhes específicos serão regulamentados em resolução posterior.

Renato Feder, secretário da Educação de São Paulo, explica a motivação por trás das mudanças: "O pacote de ajustes é uma resposta da Secretaria a uma demanda das próprias escolas e unidades regionais de ensino que apontam complexidade na gestão em unidades com muitos estudantes e um corpo docente extenso. Identificamos que o melhor caminho é o de rebalancear a distribuição dos gestores escolares e apoio administrativo de uma forma mais equitativa e, assim, garantir uma equipe pedagógica proporcional ao tamanho e necessidades das escolas".

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Além da gestão pedagógica, outra mudança importante diz respeito aos agentes de organização escolar (AOE). Todas as escolas terão, no mínimo, dois AOEs. Para unidades de tempo parcial e integral (7 horas), será acrescido um agente a cada 120 alunos matriculados. Já nas escolas integrais com jornada diária de 9 horas, a quantidade adicional de AOE aumenta a cada 80 estudantes.

O impacto será considerável. O novo desenho administrativo deve alterar o perfil de cerca de metade das 5.300 escolas estaduais. Unidades de médio e grande porte terão equipes reforçadas, enquanto as de pequeno porte, com até 600 alunos, poderão ter redução no número de gestores. Cerca de duas mil escolas permanecerão com equipes do mesmo tamanho.

Outra transformação significativa ocorrerá na função dos coordenadores de gestão pedagógica por área de conhecimento (CGPAC). Atualmente responsáveis por supervisionar e organizar ações por área específica, de acordo com o número de turmas, e reservados a docentes efetivos, esses profissionais darão lugar aos professores articuladores por área de conhecimento (PAAC) a partir de 2026. A carga horária passará a ser definida pelo número de docentes, podendo chegar a seis profissionais em escolas maiores, e a vaga será aberta a qualquer professor com aula atribuída.

Paralelamente às mudanças estruturais, a Seduc-SP prepara para o próximo ano letivo um projeto-piloto voltado para escolas com mais de 1.200 estudantes matriculados. As unidades que aderirem voluntariamente ao projeto terão duas direções e equipes próprias de apoio. As escolas selecionadas são de tempo parcial e atendem aos anos finais do Ensino Fundamental e ao Ensino Médio, com maioria localizada na região metropolitana de São Paulo, mas com interesse de expansão para outras regiões do estado.

Nessas escolas participantes, o espaço físico será compartilhado, mantendo professores, estudantes e turmas já existentes. Cada parte funcionará com um diretor responsável por períodos diferentes – geralmente, uma gestão pela manhã e outra à tarde e à noite. A escolha dos novos diretores ocorrerá por meio de processo seletivo interno, semelhante aos já adotados na rede estadual, com preferência para o atual diretor na escolha de qual escola assumir. Também está prevista a designação de um novo profissional do quadro GOE para cada unidade.

Para professores e alunos, a rotina permanecerá praticamente inalterada. Não haverá mudanças nas turmas e horários, com a atribuição de aulas ocorrendo normalmente antes da divisão. "Há casos de unidades com funcionamento em três turnos, com 1.500 e, até 1.800 estudantes e cerca de 80 professores sob a responsabilidade de um único diretor. Com o projeto, queremos tornar a gestão mais eficiente e próxima de estudantes, equipe pedagógica e famílias, o que tende a refletir diretamente nos resultados de aprendizagem. Nada muda para os alunos e professores que permanecerão nas mesmas escolas em que hoje estão", acrescenta Feder.

A publicação do decreto de criação das novas unidades escolares está prevista para janeiro de 2026, marcando o início concreto dessa reestruturação que promete redesenhar a administração das escolas paulistas nos próximos anos.