O gás natural veicular (GNV), que já foi uma opção popular para economizar no combustível, está saindo das prioridades dos paulistas. Dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) revelam um declínio acentuado nos pedidos de inclusão do gás natural em veículos. Em 2021, o estado registrou quase 10.000 solicitações, mas esse número despencou para cerca de 2.500 no ano passado, uma queda de 75%. Até outubro deste ano, o Detran-SP recebeu apenas 1.254 pedidos, 17% a menos que em 2023 e 64% abaixo do volume de cinco anos atrás.

Com a menor procura, a frota ativa de carros ou motos que utilizam GNV vem diminuindo ano a ano. Em 2020, São Paulo tinha 215.450 veículos com a opção de abastecimento a gás natural; em 2021, o número caiu para 207.888, e em 2023, já havia encolhido para 182.452. Atualmente, o valor de 142.587 representa um recuo de 34% no período, indicando uma tendência consistente de abandono do combustível.

Maicon Silva, 37 anos, sendo dez deles como taxista, é um exemplo dessa mudança. Ele adotou o GNV em 2021, durante a pandemia de Covid-19, mas deixou de usar no início deste ano ao perceber que a troca não compensava financeiramente. "Com a alta no preço do gás, hoje está compensando mais usar etanol, porque a economia ficou pequena frente ao investimento para adaptar o carro. Além disso, o kit necessário para o abastecimento a gás ocupa grande parte do porta-malas do automóvel, e nós, taxistas, rodamos bastante, usamos a mala e trocamos de carro com frequência", diz. "Outro dia, o frentista do posto onde eu abastecia com GNV comentou que muitos taxistas, quando trocam de veículo, não querem mais saber do gás natural."

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Com ponto na Mooca, zona leste de São Paulo, Maicon ilustra o enxugamento da frota com GNV na capital. Lá, o total de veículos com gás natural caiu de 88.300 em 2020 para 59.019 em outubro deste ano, uma retração de 33%. Essa redução reflete diretamente a queda na procura pelo abastecimento a gás: em 2021, a capital registrou mais de 4.000 pedidos, mas no ano seguinte, o número já era 25% menor. Em 2024, o volume de solicitações ficou em três dígitos, com 946 pedidos, e os dados do Detran-SP indicam 691 pedidos até o final de outubro, acompanhando a tendência de queda observada nos últimos anos.

Essa mudança de comportamento entre os motoristas paulistas pode estar ligada a fatores como o aumento dos preços do gás, a praticidade de outros combustíveis como o etanol, e a logística envolvida na adaptação dos veículos. Enquanto o GNV perde espaço, os especialistas alertam para a necessidade de acompanhar essas tendências, que impactam não só o bolso dos consumidores, mas também as políticas públicas de mobilidade e meio ambiente no estado.