O governo federal e o Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (CN-Sesi) firmaram um Acordo de Cooperação Técnica para ampliar a oferta de cuidotecas em todo o país. A iniciativa integra o Plano Nacional de Cuidados e tem como objetivo principal garantir que familiares, especialmente mulheres, tenham um local seguro para deixar as crianças enquanto estudam e se qualificam profissionalmente.
A parceria envolve a Secretaria Nacional da Política de Cuidados e Família (SNCF) do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e tem foco na implantação de cuidotecas em espaços educacionais e de qualificação do Sistema Indústria. O titular do MDS, Wellington Dias, destacou que muitas mulheres não ocupam vagas em setores como a indústria por falta de onde deixar os filhos.
"A parceria vai garantir essa condição para que aquela criança de até 12 anos possa ser bem cuidada e que a mãe tenha a condição de estudar, de trabalhar e de contribuir com o desenvolvimento da sua família e do Brasil", afirmou Dias em nota divulgada pela pasta.
A secretária nacional de Política de Cuidados e Família do MDS, Laís Abramo, explicou que "as cuidotecas são espaços de acolhida para crianças e que têm o objetivo de permitir aos responsáveis pelo cuidado dessas crianças, no âmbito familiar, que em geral são as mulheres, que possam se qualificar, aumentar sua escolaridade e trabalhar no período exatamente que exceda a jornada escolar".
Com a parceria, o Sesi vai apoiar financeiramente projetos de cuidotecas por meio de editais. Cada iniciativa pode receber até R$ 500 mil para compra de equipamentos, materiais e contratação de serviços. Os departamentos regionais do Sesi serão responsáveis pela execução dos projetos e pelo funcionamento dos espaços. Já o MDS, por meio da SNCF, prestará apoio técnico e metodológico, além de participar da capacitação das equipes locais.
As cuidotecas são parte do Plano Nacional de Cuidados Brasil que Cuida. São espaços públicos, gratuitos e seguros, voltados ao acolhimento de crianças de 3 a 12 anos com e sem deficiência, em horários que vão além da jornada escolar, como à noite, por exemplo. O serviço apoia pessoas responsáveis por crianças que precisam trabalhar, estudar ou se qualificar.
Os espaços oferecem atividades recreativas, leitura, jogos e artes, além de cuidados básicos como alimentação, higiene, troca de roupas e descanso. Atualmente, 12 cuidotecas estão em funcionamento no país: uma na Universidade Federal Fluminense (UFF) e 11 em Institutos Federais na Bahia, no Maranhão e em Sergipe.
A ampliação dessa rede representa um avanço nas políticas públicas de cuidado, reconhecendo que a falta de suporte para famílias, especialmente mulheres, é um obstáculo significativo para a inclusão no mercado de trabalho e para o acesso à educação. A expectativa é que, com os novos recursos e a estrutura do Sistema Indústria, mais municípios possam contar com esse serviço essencial.

