O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,44% em março, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mostra uma desaceleração em relação ao índice de fevereiro, que foi de 0,84%, e também fica abaixo da taxa de 0,64% observada em março de 2023. Nos últimos 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 3,9%, mantendo-se dentro da meta do governo, que tolera uma inflação de até 4,5% ao ano.
O principal fator de pressão para cima no índice veio dos alimentos e bebidas, que subiram 0,88% no mês, representando um impacto de 0,19 ponto percentual (p.p.) no resultado geral. Dentro desse grupo, a chamada alimentação no domicílio ficou 1,10% mais cara, com destaque para altas expressivas em itens como açaí (29,95%), feijão-carioca (19,69%), ovo de galinha (7,54%), leite longa vida (4,46%) e carnes (1,45%). O feijão e o açaí, com aumentos de dois dígitos, contribuíram cada um com 0,02 p.p. para a inflação de março. Já a alimentação fora do domicílio subiu 0,35%, superando a expansão de fevereiro, que foi de 0,46%.
Além dos alimentos, todos os nove grupos de preços pesquisados pelo IBGE apresentaram alta na passagem de fevereiro para março. Os transportes subiram 0,21% (impacto de 0,04 p.p.), com destaque negativo para as passagens aéreas, que tiveram alta de 5,94% e exerceram a maior pressão individual entre os 377 subitens pesquisados, com impacto de 0,05 p.p. No grupo de habitação, a alta foi de 0,24% (0,04 p.p.), enquanto vestuário subiu 0,47% (0,02 p.p.) e saúde e cuidados pessoais, 0,36% (0,05 p.p.). Os demais grupos registraram variações menores: artigos de residência (0,37%, com 0,01 p.p.), despesas pessoais (0,82%, com 0,09 p.p.), educação (0,05%, com 0,00 p.p.) e comunicação (0,03%, com 0,00 p.p.).
Um alívio veio dos combustíveis, que apresentaram deflação de 0,03% na média, com reduções no gás veicular (-2,27%), etanol (-0,61%) e gasolina (-0,08%). No entanto, o óleo diesel teve alta de 3,77%, refletindo pressões internacionais devido à guerra no Irã, que tem causado distúrbios na cadeia global de petróleo. O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, o que torna o derivado mais sensível a esses movimentos. Em resposta, o governo adotou medidas para suavizar a escalada de preços, incluindo a zeragem de alíquotas do PIS e da Cofins sobre o diesel, após a Petrobras anunciar reajuste de R$ 0,38 por litro no combustível.
O IPCA-15 serve como uma prévia do IPCA, a inflação oficial que baseia a política de metas do governo, com objetivo central de 3% ao ano e margem de tolerância de 1,5 p.p. para mais ou para menos. A diferença entre os índices está no período de coleta de preços e na abrangência geográfica: o IPCA-15 é divulgado antes do fim do mês de referência (neste caso, com coleta entre 13 de fevereiro e 17 de março) e abrange 11 localidades, enquanto o IPCA completo, a ser divulgado em 10 de abril, inclui 16 localidades. Ambos consideram famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, atualmente em R$ 1.621.
Com a inflação acumulada em 3,9% nos últimos 12 meses, o resultado mantém-se dentro da meta, alinhando-se a projeções recentes do mercado, que elevou a previsão para 4,17% este ano. O desempenho reflete um cenário de desaceleração em relação a meses anteriores, mas com pressões persistentes em setores essenciais como alimentos, o que continua a impactar o bolso dos brasileiros, especialmente em itens básicos da cesta de compras.

