Pequenas, coloridas e muitas vezes vistas apenas como enfeites da natureza, as joaninhas escondem um papel fundamental na agricultura brasileira. Esses insetos, que parecem frágeis, são na verdade verdadeiros soldados na proteção das lavouras, atuando como agentes naturais no controle de pragas que ameaçam a produção agrícola.
"Ela se alimenta de vários insetos, ácaros, cochonilhas, pulgões e moscas brancas, presentes em várias culturas. Geralmente, a joaninha beneficia todas as culturas que podem sofrer com estas pragas. Elas podem comer, por exemplo, cerca de 50 pulgões por dia", explica Erica Tomé, Engenheira Agrônoma da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) de Araraquara.
O apetite voraz das joaninhas não é passageiro - ele acompanha o inseto por quase todo o seu ciclo de vida. Desde a fase larval até a adulta, esses pequenos predadores mantêm seu hábito alimentar, caçando pragas que prejudicam as plantações. Algumas espécies vão ainda mais longe, alimentando-se também de fungos que causam doenças em culturas como o quiabeiro.
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) reconhece o valor desses insetos e, por meio da equipe de entomologistas do Instituto Biológico (IB – APTA) de Ribeirão Preto, desenvolve pesquisas em laboratório e campo. Os estudos avaliam a diversidade de espécies de joaninhas em culturas agrícolas, suas preferências alimentares, consumo de pragas, comportamento e eficiência no combate a esses inimigos naturais das plantações.
Terezinha Monteiro, pesquisadora do IB, dedica sua carreira ao estudo desses insetos. "Devido ao hábito alimentar polífago e alta voracidade, as joaninhas, tanto na fase jovem (larva) e adulta, controlam com sucesso uma variedade de pragas em hortaliças, em culturas de produção de cereais e de grãos, pomares de laranja, além de plantas ornamentais. Deste modo, este pequeno predador proporciona benefícios aos agricultores que produzem alimentos que compõem a refeição do dia a dia da população".
A diversidade é uma das características mais impressionantes das joaninhas. "Em uma única planta podemos encontrar uma diversidade de espécies de joaninhas. Por exemplo, em pomares de laranja existem muitas espécies de joaninhas, aquelas que preferem consumir pulgões, outras que consomem cochonilhas, ácaros e também psilídeos", complementa a pesquisadora.
O estado de São Paulo, em particular, se beneficia enormemente da proteção oferecida por esses insetos. "O estado de São Paulo é agraciado por ser o maior produtor de laranja do Brasil e o maior exportador de suco de laranja do mundo. Em pomares dessa fruta cítrica, destaca-se a ação de variadas espécies de joaninhas no controle de pragas dos citros, como cochonilhas, pulgões e ácaros. Um grande exemplo de controle biológico de pragas no Brasil", ressalta Terezinha.
Mas não são apenas os pomares de laranja que atraem essas guardiãs aladas. Segundo Erica Ybarra, chefe de Divisão da CATI Regional de Araraquara, as joaninhas demonstram preferência por áreas de cultivo orgânico e locais que adotam o Manejo Integrado de Pragas (MIP), especialmente nas plantações de soja. "Geralmente, em áreas de culturas orgânicas, com Certificação Orgânica, e naquelas onde são aplicadas as técnicas de MIP, a presença de joaninhas tende a ser maior".
Para manter e atrair ainda mais joaninhas para as lavouras, os agricultores têm descoberto uma aliada inesperada: as flores. Plantas ricas em pólen e néctar funcionam como verdadeiros ímãs para esses insetos, criando ecossistemas favoráveis à sua permanência. "Além de conservar as joaninhas que já estão nos cultivos, é possível atraí-las ainda mais. Isso porque, na fase adulta, além de caçarem pragas, elas se alimentam de pequenas porções de pólen e néctar, o que garante sua sobrevivência em épocas de falta de alimento. Essas plantas também servem como abrigo, promovendo um ambiente adequado que favorece a reprodução e a permanência delas na área", explica Terezinha.
Discretas, mas extremamente eficientes, as joaninhas provam que nem sempre as soluções mais complexas são as melhores. No campo brasileiro, onde a tecnologia avança a passos largos, esses pequenos insetos coloridos lembram aos produtores que muitas vezes o equilíbrio natural é o melhor aliado na busca por uma agricultura sustentável e produtiva. Enquanto pesquisadores continuam estudando suas capacidades, as joaninhas seguem trabalhando silenciosamente, protegendo as plantações que alimentam o país.

