O esquiador brasileiro Lucas Pinheiro Braathen voltou a brilhar na elite do esqui alpino mundial. Neste sábado (10), ele conquistou a medalha de prata na etapa de Adelboden, na Suíça, na prova do slalom gigante da Copa do Mundo. Foi o terceiro pódio do atleta nesta temporada, consolidando sua posição entre os melhores do mundo e alimentando as esperanças do Brasil para a Olimpíada de Inverno de Milão-Cortina 2026, que começa em fevereiro.
A vitória em Adelboden ficou com o suíço Marco Odermatt, que venceu a prova pelo quinto ano consecutivo em sua terra natal. O francês Léo Anguenot completou o pódio em terceiro lugar. Lucas, norueguês de nascimento mas com mãe brasileira e que optou por representar o Brasil em 2023, demonstrou consistência ao fazer a segunda melhor marca da primeira descida (1min14s89, apenas 49 centésimos atrás de Odermatt) e igualar o tempo do suíço na segunda descida (1min16s83). Com um tempo total de 2min31s72, ele garantiu a prata com 19 centésimos de vantagem sobre Anguenot.
O resultado tem um significado especial para o atleta de 23 anos. "Fiquei muito emocionado entre as descidas hoje [sábado]. É a primeira vez que vejo a linha de chegada em Adelboden desde que me lesionei aqui. Levou alguns anos, mas quando voltei, fui direto para o pódio", revelou Lucas em entrevista à Federação Internacional de Ski e Snowboard (FIS). Em 2021, ainda competindo pela Noruega, ele sofreu uma grave lesão no joelho justamente em Adelboden e não conseguia completar as duas descidas do slalom gigante no local desde então.
Na prova do slalom gigante, os atletas realizam duas descidas em um percurso de curvas rápidas, tendo que passar entre mastros fincados na neve - as chamadas "portas". Vence quem tiver a menor somatória de tempos. A diferença para o slalom "convencional", que Lucas disputará neste domingo (11) a partir das 6h30 (horário de Brasília), é que no gigante a distância entre as portas é maior (cerca de 25 metros), o que permite velocidades mais altas. Já no slalom, o espaço entre os mastros é menor (aproximadamente 13 metros), exigindo mais técnica e agilidade nas curvas fechadas.
O brasileiro já havia sido prata no slalom de Adelboden no ano passado, e volta à pista neste domingo com chances reais de novo pódio. Além da prata na Suíça, Lucas teve outro segundo lugar em Alta Badia, na Itália, em dezembro (também no slalom gigante), e foi campeão da etapa de Levi, na Finlândia, no slalom, em outubro. Com os 80 pontos somados neste sábado, ele agora ocupa a vice-liderança da Copa do Mundo de Esqui Alpino, com 488 pontos - 37 à frente do austríaco Marco Schwarz. A liderança segue com Odermatt, que tem 955 pontos após somar 100 com a vitória em casa.
Lucas Braathen se consolida como uma das principais esperanças do Brasil na Olimpíada de Inverno deste ano, que será disputada nas cidades italianas de Milão e Cortina d'Ampezzo entre 6 e 22 de fevereiro. O país busca sua primeira medalha na história dos Jogos de Inverno, e o desempenho consistente do esquiador nas provas de slalom e slalom gigante coloca-o entre os favoritos a subir ao pódio. O momento positivo do esporte olímpico brasileiro, que fechou 2025 em alta conforme retrospectiva recente, ganha assim um reforço de peso na neve.

