O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu importantes passos para fortalecer a educação pública brasileira nesta sexta-feira (14), durante cerimônia no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília. O mandatário assinou duas mensagens que encaminham ao Congresso Nacional projetos de lei voltados para a área educacional e concedeu a Ordem do Mérito Educativo a 262 personalidades.

O primeiro projeto altera a lei orçamentária para autorizar a criação de mais 8,6 mil cargos de magistério superior e técnico administrativo em educação, elevando o quantitativo total de 21.204 para 29.804 postos de trabalho. Já o segundo projeto cria um plano especial de cargos no Ministério da Educação (MEC), composto por cargos de nível superior, intermediário e auxiliar.

Durante o evento, Lula fez uma defesa apaixonada do investimento em educação, comparando custos sociais. "É mais barato financiar educação para as crianças do que manter um jovem na cadeia por falta de oportunidades", afirmou o presidente, destacando o caráter estratégico das políticas educacionais.

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O mandatário também fez críticas contundentes ao que chamou de "elite" que historicamente impediu o acesso do povo à educação. "Muita gente nunca quis que o povo brasileiro fosse educado. É como se fosse uma coisa vergonhosa para a elite durante tantas décadas e séculos não permitir que o povo brasileiro tivesse acesso à educação", disse Lula, emocionado.

O presidente lamentou que, mesmo com todo o investimento feito na educação brasileira, na comparação com Chile e Argentina, o país tem, proporcionalmente, menos jovens na universidade. Como contraponto, anunciou que ainda neste mês serão divulgadas as universidades dos Esportes e a Indígena.

Entre os 262 agraciados com a Ordem do Mérito Educativo estavam escritores, professores, autoridades públicas e influenciadores. A lista incluiu nomes como os imortais da Academia Brasileira de Letras Ailton Krenak e Ana Maria Gonçalves, os escritores Fernando Morais, Fabricio Carpinejar, Raduan Nassar e Cristine Takuá, além dos influenciadores Gilberto José Nogueira, o Gil do Vigor, e Felipe Neto.

Gil do Vigor, em discurso emocionado, destacou o papel transformador da educação pública em sua vida. Beneficiário do Bolsa Família e da política de cotas, ele contou que foi graças ao estímulo da mãe que conseguiu atingir seus objetivos. "Ela me disse que tínhamos uma marreta para atravessar a parede capaz de transformar a vida. E essa marreta é a educação", recordou.

O influenciador, que hoje mantém o curso solidário Aulão do Vigor, anunciou que vai ingressar no pós-doutorado na Universidade de Chicago. "Eu sou um exemplo de como as políticas de inclusão garantem a transformação. A educação salva vidas", afirmou, sob aplausos da plateia.

Houve ainda homenagens póstumas entregues a familiares de personalidades como o escritor e ativista Antonio Bispo, o Nego Bispo; o ex-reitor Luis Carlos Cancellier, da Universidade Federal de Santa Catarina; e a professora Elisabeth Tenreiro, que morreu no ataque à escola Thomazia Montoro, em 2023.

O ministro da Educação, Camilo Santana, reforçou o compromisso do governo com a educação pública. "A educação é o único caminho transformador de uma nação", afirmou o ministro, lembrando que a entrega da Ordem Nacional do Mérito Educativo integra as ações de comemoração dos 95 anos do MEC.

"Essa celebração reafirma nosso compromisso com educação pública forte. As pessoas que recebem essa comenda têm papel fundamental no Brasil que queremos", completou Santana.

A Ordem Nacional do Mérito Educativo foi criada em 1955, mas regulamentada apenas em julho de 2003. As condecorações são entregues a personalidades nacionais e estrangeiras que se destacaram em ações para a melhoria e o desenvolvimento do ensino e da educação brasileira. Os homenageados são reconhecidos nos graus: Grã-Cruz, Grande Oficial, Comendador, Oficial e Cavaleiro, mediante decreto presidencial e proposta do ministro da Educação.