O Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, divulgou nesta quinta-feira (5) dados que mostram um avanço significativo na cobertura da mamografia no Brasil. A pesquisa revela que a frequência de mulheres entre 50 e 69 anos de idade que já fizeram o exame em algum momento da vida saltou de 82,8% em 2007 para 91,9% em 2024. Os números foram apresentados no Dia da Mamografia, data que reforça a importância do exame para o diagnóstico precoce do câncer de mama, doença que mais mata mulheres no país.

Segundo o levantamento, o aumento foi observado em todas as faixas de idade e níveis de instrução. Entre as mulheres com idade entre 60 e 69 anos, a cobertura subiu de 81% para 93,1% no período. Já quando se considera o nível de instrução, o maior crescimento ocorreu entre aquelas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, passando de 79,1% para 88,6%. A frequência de mulheres que realizaram a mamografia nos últimos dois anos também apresentou melhora, especialmente na faixa de 60 a 69 anos, onde variou de 67,2% para 74,2%.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que um quarto dos casos de câncer de mama detectados ocorrem na faixa etária de 40 a 49 anos. “É fundamental expandir a mamografia para esse público, com um esforço do Sistema Único de Saúde (SUS) para o diagnóstico precoce”, afirmou. Em setembro de 2025, o ministério ampliou a oferta do exame para mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sinais ou sintomas da doença. Até então, essa faixa etária enfrentava dificuldades na rede pública devido à necessidade de avaliação de histórico familiar ou de apresentação de sintomas. Mesmo assim, as mamografias no SUS em pacientes com menos de 50 anos já representam 30% do total, equivalente a mais de 1 milhão em 2024.

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Outra medida anunciada pelo ministério é a ampliação da faixa etária para rastreamento ativo, quando a mamografia deve ser solicitada de forma preventiva a cada dois anos. A idade limite, que era de 69 anos, passará a ser de até 74 anos. “Quase 60% dos casos da doença estão concentrados dos 50 aos 74 anos, e o envelhecimento é um fator de risco”, explicou a pasta. A lei já garante mamografia pelo SUS para mulheres a partir dos 40 anos, mas a implementação efetiva ainda enfrenta desafios.

Os dados do Vigitel ganham ainda mais relevância diante das estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A publicação Estimativa 2026-2028: Incidência de Câncer no Brasil, divulgada na quarta-feira (4), no Dia Mundial do Câncer, projeta 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no período. O câncer de mama segue sendo o mais comum e o que mais mata mulheres no país, com 37 mil óbitos anuais. Estima-se que o Brasil deva registrar 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, com os casos de câncer de pele, por exemplo, saltando de 4 mil para mais de 72 mil em 10 anos.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Rio de Janeiro (SBM-RJ), Bruno Giordano, milhares de mulheres ainda chegam aos serviços de saúde em fases avançadas da doença, o que compromete o sucesso do tratamento e aumenta o risco de mortalidade. “Esse quadro está diretamente ligado à baixa cobertura da mamografia em parte da população, às dificuldades de acesso à rede de atendimento e ao tempo prolongado entre o exame, a confirmação diagnóstica e o início da terapia”, afirma o médico. Ele ressalta que esses fatores seguem como entraves históricos no sistema de saúde.

Giordano explica que a mamografia é o principal exame para detectar o câncer de mama em fases iniciais, muitas vezes antes mesmo do surgimento de qualquer sintoma. “Quando conseguimos diagnosticar precocemente, ampliamos de forma significativa as chances de tratamento eficaz e reduzimos a mortalidade”. Ele lembra ainda que, além do exame periódico, o combate à doença passa pela adoção de hábitos saudáveis, como prática regular de atividade física, manutenção do peso adequado, alimentação equilibrada e redução do consumo de álcool.

O mastologista defende que essas ações precisam caminhar junto com políticas públicas que ampliem o acesso à informação e aos serviços de diagnóstico. Ele destaca a importância da lei dos 60 dias, que garante a todo paciente com neoplasia maligna o direito de iniciar o primeiro tratamento no SUS em até 60 dias após o diagnóstico. “Cada exame realizado representa uma oportunidade concreta de salvar vidas. Não podemos esquecer que, se diagnosticado precocemente, as chances de cura podem chegar a 95%”, conclui Giordano, reforçando o compromisso de ampliar o acesso e reduzir desigualdades para que a mamografia seja parte da rotina de cuidado das mulheres.