Quatorze dias após perder a casa e o companheiro de vida Claudino Paulino Risse, uma das sete vítimas do tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu no dia 7 de novembro, Marilda Risse recebeu nesta quinta-feira (20) a notícia que acende uma luz em meio à tragédia: será a primeira moradora a receber uma das 320 casas pré-fabricadas que o Governo do Estado está destinando às famílias atingidas pelo desastre.
Abalada, mas amparada pela família, dona Marilda esteve no terreno onde vivia para acompanhar o anúncio oficial e recebeu uma ligação direta do governador Carlos Massa Ratinho Junior confirmando que sua casa será a primeira a ser construída. "A gente recupera os bens materiais, mas a vida não", refletiu a viúva, visivelmente emocionada. "Ainda assim, estou contente por começar pela minha casa. Sou muito grata. Apesar da dor, Deus está me abençoando com um teto de novo. É a chance de recuperar minha dignidade e voltar a viver em paz".
Em meio à dor da perda do marido após mais de três décadas de união, dona Marilda encontrou forças no neto de apenas dois anos. Na noite anterior ao anúncio, sem saber que a avó seria contemplada, o menino tentou consolá-la com a promessa ingênua que se tornou profética: "daria uma casa amarela" para ela. Ao lembrar do episódio, dona Marilda sorriu e garantiu que, quando a nova casa for erguida, pelo menos uma parede terá a cor escolhida pelo neto.
Enquanto dona Marilda se prepara para reconstruir a vida, as primeiras estruturas das moradias já deixaram Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, na tarde desta quinta-feira. A expectativa é que as casas cheguem a Rio Bonito do Iguaçu ainda no mesmo dia. As peças fazem parte do lote inicial fornecido pela empresa Tecverde, responsável pela construção das unidades pré-fabricadas em woodframe.
O investimento total do Tesouro do Estado para aquisição das 320 residências chega a R$ 44 milhões. A Tecverde possui atualmente 189 unidades prontas em estoque, que serão transportadas para Rio Bonito conforme as áreas de construção forem liberadas pela prefeitura e pela Defesa Civil, após limpeza e terraplanagem. As demais casas serão produzidas no prazo de até 90 dias.
A montagem das novas moradias ocorrerá nos próprios terrenos das famílias que atendem aos requisitos técnicos. Para quem perdeu completamente a casa e não possui área própria, a prefeitura destinou um espaço específico onde as unidades serão erguidas. As casas possuem sala, cozinha, dois quartos, banheiro e área de serviço, com tamanhos que variam entre 46 m², 51 m² e 53 m².
O processo de construção é ágil: após a fundação, as paredes são montadas em cerca de 2h30 por unidade, seguidas do telhado e dos acabamentos. A previsão é que a primeira casa - a de dona Marilda - seja concluída em até 10 dias.
O secretário das Cidades, Guto Silva, destacou o simbolismo desta primeira construção: "Esta primeira casa é carregada de simbolismo porque representa a reconstrução de toda a cidade. Ela chega de forma rápida e mostra a atenção, o carinho e a agilidade com que o Governo do Estado está atuando em Rio Bonito do Iguaçu. A reconstrução não é apenas econômica; é também emocional. Cada nova estrutura que começa a ser erguida significa retomar a vida e devolver dignidade às famílias".
Paralelamente à entrega das moradias, o governo também regulamentou o processo de liberação de R$ 50 mil para as famílias de Rio Bonito do Iguaçu atingidas pelo tornado. A Cohapar está finalizando o cadastramento para definir a destinação das unidades, enquanto outras ações continuam na cidade, incluindo a busca ativa para aplicação de vacina contra o tétano pela Secretaria de Saúde e a emissão de 109 novas identidades pela Polícia Civil do Paraná (PCPR).

