A menopausa marca o fim da fase reprodutiva da mulher, mas também o início de um período que exige cuidados especiais com a saúde do coração. Durante essa transição, o corpo feminino passa por uma série de transformações químicas e físicas que impactam diretamente o sistema cardiovascular. A principal delas é a diminuição dos níveis de estrogênio, hormônio que atua como um protetor natural das artérias e do coração.
Com a redução desse hormônio, as mulheres ficam mais vulneráveis a problemas cardíacos graves. O cardiologista José Marcos Moreira, do Hospital do Servidor Público (HSPE) de São Paulo, explica que "a menopausa pode causar um aumento do risco de doença arterial coronária, justamente pela diminuição do estrogênio. As mulheres ficam mais suscetíveis a infarto do miocárdio, AVC e à insuficiência cardíaca".
Os números reforçam a gravidade do assunto. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres em todo o mundo, respondendo por um terço da mortalidade feminina. No Brasil, essa realidade não é diferente, tornando a conscientização sobre os riscos durante a menopausa uma questão de saúde pública.
O desafio começa com o reconhecimento dos sintomas, que costumam ser diferentes dos apresentados pelos homens. Enquanto eles geralmente sentem uma dor aguda e localizada no peito, as mulheres na menopausa podem experimentar sinais mais sutis e difusos. Entre os mais comuns estão cansaço extremo sem esforço aparente, falta de ar, desconforto torácico atípico (como sensação de peso ou queimação), dores que irradiam para costas, pescoço ou mandíbula, suor excessivo e frio, sintomas digestivos como náuseas, palpitações e tonturas.
Moreira alerta que "o reconhecimento é mais complicado, porque a dor é menos típica, mais difusa e, muitas vezes, subestimada. Existem pacientes que nem relatam dor no peito. Esses fatores atrasam o diagnóstico, aumentando a mortalidade". Por isso, mulheres a partir dos 45 anos devem iniciar acompanhamento regular com cardiologista e realizar exames cardiovasculares e metabólicos periodicamente.
A prevenção, no entanto, vai além das consultas médicas. Adotar um estilo de vida saudável é fundamental para proteger o coração durante e após a menopausa. Isso inclui praticar atividades físicas regularmente, dormir de 7 a 8 horas por noite, abandonar o cigarro, moderar o consumo de álcool e manter uma alimentação balanceada. A dieta mediterrânea – rica em peixes, frutas, leguminosas, vegetais e azeite de oliva – é especialmente recomendada pelos especialistas.
O controle do estresse também desempenha um papel importante. Técnicas como meditação, ioga e exercícios respiratórios podem ajudar a reduzir a pressão arterial e melhorar a saúde cardiovascular como um todo. Essas mudanças, quando incorporadas ao dia a dia, não apenas diminuem os riscos de problemas cardíacos, mas também melhoram a qualidade de vida durante essa fase de transição.
A menopausa não precisa ser encarada como uma sentença de problemas de saúde. Com informação, acompanhamento médico adequado e hábitos saudáveis, é possível atravessar esse período com mais segurança e bem-estar, protegendo o coração e garantindo anos de vida com qualidade.

