A primeira mulher a ocupar o cargo de ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiavelli, destacou que as mulheres do campo têm sido fundamentais para aumentar a variedade de alimentos que chegam à mesa da população brasileira. Em participação no programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ela apresentou dados e iniciativas que evidenciam essa contribuição.
Segundo a ministra, enquanto a agricultura empresarial se concentra em apenas quatro ou cinco variedades de grãos, além das carnes, a agricultura familiar produz mais de 400 tipos de alimentos. "Isso só no âmbito do Programa de Aquisição de Alimentos", ressaltou Machiavelli. Ela enfatizou que essa diversificação é impulsionada principalmente pelas mulheres, que atuam nos chamados "quintais produtivos".
"O que acontece é que elas estão mais presentes na produção dos alimentos diversificados que chegam na nossa mesa", afirmou a ministra. "Então, esse [alimento no] prato diversificado e colorido que está hoje na nossa mesa, que tem oferta cada vez mais abundante, é produzido prioritariamente por mulheres".
Machiavelli também abordou a questão da igualdade de gênero no campo, informando que, estatisticamente, o número de mulheres rurais nas propriedades é equilibrado em comparação com o de homens. No entanto, ela destacou que as mulheres enfrentam desafios específicos, como a sobrecarga de trabalho, que inclui não apenas as atividades produtivas, mas também "todo o trabalho reprodutivo" e doméstico.
Para enfrentar essas dificuldades, o governo federal tem desenvolvido programas de apoio, muitos deles inspirados em reivindicações da Marcha das Margaridas. Um exemplo é a estruturação de quintais produtivos "ali em volta da casa", voltados para a criação de animais e a produção variada de alimentos. "Já são 103 mil quintais que estruturamos para as mulheres", destacou a ministra.
Entre as ações concretas, Machiavelli citou a instalação de lavanderias coletivas agroecológicas em comunidades rurais. Esses espaços surgiram a partir de relatos das próprias mulheres sobre a dificuldade de lavar roupas manualmente, uma tarefa que consome tempo e esforço. "A maioria das mulheres não tem acesso a uma máquina de lavar roupa, atividade que acaba acontecendo manualmente, levando tempo. O que fizemos? Instalamos uma lavanderia coletiva, com máquinas industriais, a ser gerida pela associação de mulheres. Lá dentro tem uma brinquedoteca, para as mulheres deixarem as crianças enquanto estão lavando a roupa", explicou.
Além de facilitar o trabalho doméstico, as lavanderias coletivas se tornam pontos de encontro e discussão de questões comunitárias. "É também um espaço para se encontrar, tratar de questões da vida comunitária", acrescentou Machiavelli, ressaltando que o objetivo é garantir às mulheres "acesso ao bem viver".
A ministra também mencionou a importância do acesso a máquinas e equipamentos para as mulheres rurais. "Assim como no meio urbano, as mulheres no meio rural também querem máquinas para poupar tempo. Além de lavanderias coletivas, querem roçadeiras e máquinas que economizam tempo e reduzem a penosidade do trabalho no campo. E querem tecnologias para aumentar o rendimento da produção", concluiu.
As declarações de Fernanda Machiavelli reforçam o papel estratégico das mulheres na agricultura familiar e a necessidade de políticas públicas que atendam às suas demandas específicas. Com iniciativas como os quintais produtivos e as lavanderias coletivas, o governo busca não apenas reconhecer, mas também apoiar concretamente o trabalho feminino no campo, contribuindo para a diversificação alimentar e a qualidade de vida nas comunidades rurais.

