Mais de 1,5 milhão de estudantes da rede estadual paulista mergulharam nas Olimpíada de Matemática das Escolas Estaduais de São Paulo (Omasp) e Olimpíada Interpreta SP (Olisp) em 2024 e 2025. As competições, que mobilizam alunos do 6º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Médio, têm se mostrado muito mais do que simples disputas por medalhas - são verdadeiros catalisadores de transformação educacional.

Diana Knox Carvalho de Oliveira é um exemplo vivo desse impacto. Aluna do 9º ano da Escola Estadual Lasar Segall, na capital, ela acumula uma medalha de ouro, duas de prata e uma de bronze após participar das duas edições das olimpíadas. "Foi uma experiência muito boa de troca de conhecimentos e aprendizagem. Minha família também foi fundamental ao me apoiar e me inspirar. Percebi que estava tendo oportunidades que eles não tiveram e deveria aproveitar ao máximo", conta a estudante que, além de se preparar sozinha, organizou grupos de estudos com colegas.

As conquistas de Diana serviram de inspiração até para seu irmão mais novo, Crom, de 12 anos, que já ostenta uma medalha de bronze na Olisp. O secretário da Educação, Renato Feder, explica que "o objetivo das competições da Seduc-SP é identificar estudantes que são destaques em todas as regiões do estado e torná-los referência de sucesso no ensino-aprendizagem em suas comunidades".

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Para Helena Kodaira Griginske Cezar, do 9º ano da Escola Estadual Professor Benedito Sampaio, em Campinas, as olimpíadas foram um treino valioso. Com três medalhas no currículo - prata e bronze na Omasp e ouro na Olisp -, ela credita parte do sucesso aos professores: "Os professores realmente se orgulham dos alunos e nos incentivam bastante". Helena, que leu "Metamorfose" de Franz Kafka durante a preparação, destaca que "a leitura ajuda em tudo, e não apenas nas olimpíadas".

Henrique Martins Castilho, do 6º ano da Escola Estadual Professor Carlos Lencastre, também de Campinas, estreou com chave de ouro: medalha de ouro na Olisp e bronze na Omasp. "Achei as questões de matemática bem difíceis e complexas, com muitos cálculos para resolver. Agora, a de língua portuguesa, vou dizer, foi bem fácil para mim", confessa o estudante, que atribui parte do sucesso ao formato de tempo integral de sua escola.

O processo seletivo para as olimpíadas começa com a Prova Paulista, onde 30% dos melhores alunos em matemática e português são selecionados para a segunda fase. Na etapa final, apenas 5% por município ou região recebem medalhas. Os medalhistas de ouro da Omasp ainda têm uma terceira fase com chance de vaga na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM).

Entre agosto e outubro, os estudantes selecionados participaram de aulas online com especialistas do projeto Starboard Science, parceiro da Seduc-SP. "As vitórias estão ficando cada vez mais reais, mais próximas e, em 2025, tivemos novamente o desafio de participar de uma OBM, a Olimpíada de Matemática mais difícil do Brasil", comemora o coordenador de olimpíadas da Educação, Roberto Serra Campos Júnior.

O reconhecimento vai além dos alunos. Professores e unidades regionais de ensino que atingem 90% ou mais de participação recebem o "troféu olímpico". A URE de Jales se destaca nesse aspecto, com histórico de participação em diversas competições científicas. Elisângela Cristina Talhare Santos, professora especialista de currículo de língua portuguesa na região, afirma que "uma olimpíada é capaz de consolidar o aprendizado realizado em sala de aula, repercute externamente e dá visibilidade ao trabalho desenvolvido dentro das escolas".

Jales também aderiu ao projeto Escolas Olímpicas, com 150 unidades abertas aos sábados em todo o estado oferecendo aulas preparatórias. Rosilaine Sanches Martins, professora especialista de currículo de matemática na URE de Jales, observa que "em um país onde a matemática possui índices baixos de aprendizagem e é vista como uma vilã pela população em geral, as olimpíadas nessa área trouxeram um novo olhar para a matemática".

Enquanto isso, na Escola Estadual Domingos Donato Rivelli, em Santana da Ponte Pensa, uma comissão formada por alunos, professores e gestores estuda editais, organiza grupos de estudo e cria espaços dedicados às preparações. O resultado? Impressionantes 36,91% dos alunos são medalhistas ou multimedalhistas.

As olimpíadas estaduais têm se mostrado um instrumento poderoso não apenas para identificar talentos, mas para criar uma cultura de excelência educacional que se espalha por salas de aula, famílias e comunidades inteiras - transformando o impossível em realidade, uma medalha de cada vez.