Uma sofisticada quadrilha especializada em aplicar golpes financeiros contra idosos foi desarticulada nesta quarta-feira (8) pela polícia civil de São Paulo. A Operação Chamada Bancária, coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), cumpriu cinco mandados de prisão temporária e sete de busca e apreensão na zona norte da capital paulista.
Até o momento, três suspeitos foram presos, e as diligências continuam para localizar os demais envolvidos. A ação foi conduzida pela 2ª Delegacia da Divisão de Investigações Gerais (DIG), responsável por apurar crimes de fraudes financeiras e econômicas.
As investigações revelaram uma organização criminosa com estrutura tecnológica avançada, capaz de simular centrais telefônicas de bancos. Os criminosos utilizavam um sistema automatizado de chamadas que retinha a linha telefônica das vítimas, mesmo após elas desligarem o aparelho.
O golpe funcionava da seguinte forma: com dados cadastrais obtidos ilegalmente, os envolvidos entravam em contato com as vítimas se passando por funcionários de instituições financeiras. Durante a ligação, orientavam a pessoa a desligar e retornar a chamada para o número impresso no cartão bancário, o que aumentava a credibilidade da abordagem.
No entanto, segundo a polícia, mesmo após a vítima encerrar a ligação, a linha telefônica permanecia retida pelo sistema dos golpistas. Assim, ao tentar fazer a ligação, a pessoa continuava falando com integrantes da quadrilha, sem perceber a fraude.
Na sequência, um terceiro suspeito assumia o contato, novamente se passando por funcionário do banco, e conseguia extrair informações sensíveis, incluindo senhas bancárias. Para finalizar o golpe, um falso motoboy era enviado ao endereço da vítima para recolher o cartão, sob a justificativa de que ele passaria por perícia e que eventuais valores seriam estornados.
De posse dos cartões e dados, os criminosos realizavam transações financeiras e transferências via PIX, causando prejuízos às vítimas. As investigações identificaram ao menos cinco operadores diretamente ligados ao esquema.
Além dos crimes de estelionato e organização criminosa, os investigadores apuram a possível relação do bando com um caso de latrocínio tentado. As diligências seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e ampliar o mapeamento da atuação da quadrilha.

