A Polícia Civil de São Paulo desferiu um duro golpe contra o crime organizado no interior paulista nesta quarta-feira (8). Em uma operação batizada de Lex Inversa, 19 integrantes de uma facção criminosa que atuava como "disciplinas" - encarregados de impor e fazer cumprir as leis do crime - foram presos na região de Ribeirão Preto. A ação ainda resultou na detenção em flagrante de outros dois suspeitos por tráfico de drogas.
A operação mobilizou o Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold), do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 3, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. Durante todo o dia, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão e 26 de prisão preventiva em 12 municípios.
As cidades atingidas pela operação foram Ribeirão Preto, Ituverava, Monte Alto, Brodowski, Araraquara, Ibaté, Taquaritinga, Itápolis, Guariba, Américo Brasiliense e Cravinhos, todas em São Paulo, além de Uberlândia, em Minas Gerais. A abrangência geográfica da ação demonstra a extensão da atuação da organização criminosa na região.
De acordo com as investigações, que se estenderam por aproximadamente um ano através da unidade de inteligência da Polícia Civil, os presos atuavam como "disciplinas" dentro da facção. Essa função, dentro do jargão do crime organizado, corresponde aos encarregados de manter a ordem interna, aplicar punições e garantir que as determinações da organização fossem obedecidas à risca.
Os investigados conduziam verdadeiros "tribunais do crime" para julgar pessoas que descumprissem as ordens impostas pela organização criminosa. Essa estrutura paralela de justiça é característica marcante do modus operandi de facções que buscam controlar territórios e atividades ilícitas.
Do total de 21 presos, 18 foram detidos através de mandados de prisão preventiva, enquanto três foram capturados em flagrante durante a operação por envolvimento com tráfico de drogas. Os policiais descobriram que uma das pessoas presas em flagrante também exercia a função de "disciplina" dentro da facção, mostrando a conexão direta entre diferentes atividades criminosas.
O perfil dos detidos revela um quadro preocupante: quase todos possuem reincidência criminal, e um deles já cumpriu pena por homicídio anteriormente. Essa informação destaca o nível de periculosidade dos integrantes da organização e a importância da operação para a segurança pública da região.
Os casos estão sendo registrados na Seccold sob duas principais acusações: tráfico de drogas e crime de integrar ou constituir organização criminosa. Esta última tipificação é particularmente relevante, pois permite que a Justiça trate o grupo como uma estrutura organizada, com penas mais severas do que para crimes isolados.
A operação Lex Inversa representa mais um capítulo no combate ao crime organizado no interior paulista, mostrando a atuação coordenada entre Polícia Civil e Ministério Público para desarticular estruturas criminosas que tentam estabelecer seu próprio sistema de justiça paralelo. As investigações continuam para identificar possíveis outros integrantes e desvendar completamente a extensão das atividades da organização.

