O Governo do Estado do Paraná está finalizando os detalhes para a criação da 75ª Unidade de Conservação (UC) estadual, a Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) dos Monos de Castro. Com 6,2 mil hectares – equivalente a 8,6 mil campos de futebol –, a nova área protegida está localizada no município de Castro, na região dos Campos Gerais, próximo ao Vale do Ribeira. Seu foco principal é a conservação do muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), primata criticamente ameaçado de extinção, conhecido popularmente como mono-carvoeiro.

O Instituto Água e Terra (IAT), órgão ambiental do estado, já realizou consultas com a comunidade local, incorporando sugestões ao projeto. A última audiência pública ocorreu na quinta-feira, 09 de maio. A oficialização, com a publicação do decreto no Diário Oficial do Estado, deve acontecer ainda neste ano. A gerente de Biodiversidade do IAT, Patricia Calderari, destaca a importância da iniciativa: “Nós temos algumas espécies criticamente ameaçadas de extinção. Pensamos nesta Unidade de Conservação justamente para aumentar a proteção dos monos, possibilitando ao animal um habitat adequado, protegido”.

A UC Monos de Castro se enquadra na categoria de áreas protegidas que permitem o uso dos recursos naturais de forma regulada. Isso significa que terá visitação controlada e garantirá a manutenção de atividades produtivas compatíveis com a conservação da natureza. O decreto a ser publicado apresentará as definições básicas para a gestão do complexo ambiental, que será posteriormente detalhada pelo Plano de Manejo – documento oficial da administração das Unidades de Conservação, com prazo legal de cinco anos para elaboração.

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Entre as normas a serem estabelecidas estão as regras específicas para uso da terra e o zoneamento ecológico da unidade. Como se trata de uma área de uso sustentável que incluirá imóveis particulares, um ponto crucial para sua implementação são os Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA). Esse instrumento serve como incentivo à conservação, beneficiando proprietários que prestam serviços ambientais relevantes, conforme critérios da legislação e editais públicos.

Patricia Calderari reforça o significado da medida: “É mais um passo importante que damos em prol da preservação ambiental, com cuidados com a fauna silvestre ameaçada e com os biomas do Estado”. Atualmente, o Paraná possui 74 Unidades de Conservação estaduais catalogadas pelo IAT, totalizando mais de 26,5 mil km² de áreas protegidas. Essas áreas são divididas em categorias como UCs de Uso Sustentável, Proteção Integral, Áreas Especiais de Uso Regulamentado (Aresur) e Áreas Especiais e Interesse Turístico (AEIT).

O cenário se completa com as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), terras indígenas, UCs Federais – como o emblemático Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu – e UCs Municipais, a exemplo do Parque Barigui, em Curitiba. A nova ARIE dos Monos de Castro se soma a esse mosaico de conservação, com foco especial no mono-carvoeiro.

O mono-carvoeiro ou muriqui-do-sul é a maior espécie de primata das Américas, podendo atingir 1,5 metro de comprimento da cauda à cabeça. Conhecido como um dos maiores “restauradores da floresta”, ele pode dispersar sementes de até oito espécies de plantas em um único dia, contribuindo significativamente para a regeneração ambiental. Nativo do Brasil e endêmico da Mata Atlântica, é encontrado nos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e uma pequena parte de Minas Gerais. Vive em média até 32 anos e se alimenta de frutos, folhas e flores, sem conflitos com áreas de produção florestal ou agropecuária.