O Paraná deu início a um projeto inédito no Brasil que promete revolucionar a forma como se entende e maneja o solo agrícola. Coordenado pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), o Solo Vivo Paraná é o primeiro rastreamento microbiológico do solo realizado em escala estadual, servindo como base para a construção de um Mapa Genético dos Solos Paranaenses.

O estudo utiliza a metagenômica, uma tecnologia avançada que analisa o DNA e a composição mineral e biológica do solo para mapear a diversidade de microrganismos e nutrientes presentes em determinada área. Segundo o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, "este projeto-piloto introduz uma ferramenta inédita para o Estado: a metagenômica aplicada à agricultura, integrando o Paraná à agenda global de bioeconomia e inovação verde".

Na prática, a análise de DNA metagenômico funciona como um "raio-X" da saúde do solo, identificando microrganismos benéficos ou patogênicos, ciclos de nutrientes e diversidade biológica. Enquanto as análises laboratoriais tradicionais focam nos componentes químicos e nutrientes, a metagenômica sequencia o material genético diretamente da amostra, revelando como fungos, bactérias e vírus estão agindo no solo.

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Marco Antonio Netzel, gerente do Centro de Desenvolvimento Ambiental para Saúde do Tecpar, explica que "a aplicação pioneira da metagenômica agrícola no Estado, utilizando sequenciamento genético para mapear comunidades microbianas em larga escala, representa um marco metodológico". Segundo ele, isso ampliará a capacidade local de análise e gestão do solo com base em evidências científicas.

O projeto, desenvolvido em parceria com a empresa Go Genetic, prevê a coleta e extração de amostras de solo em regiões agrícolas do Paraná. Serão 8.400 pontos amostrados, resultando em aproximadamente 700 análises metagenômicas completas com dados genéticos e indicadores de saúde do solo.

As informações geradas serão analisadas em conjunto com equipes técnicas do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), embasando uma publicação técnica que servirá como referência para o futuro desenvolvimento do mapa genético.

Os principais beneficiados serão os pequenos e médios produtores paranaenses – que representam 84% das propriedades rurais do estado. Cerca de 100 agricultores familiares e cooperativas de 13 municípios participarão do projeto-piloto: Boa Ventura de São Roque, Carambeí, Castro, Curitiba, Guarapuava, Irati, Palmeira, Piraí do Sul, Pitanga, Ponta Grossa, Prudentópolis, São José dos Pinhais e Turvo.

O projeto foi estruturado para refletir a diversidade produtiva do estado, avaliando diferentes contextos agrícolas como cultivo de banana no Litoral, citros no Norte do Paraná, mandioca no Norte e Noroeste, áreas certificadas de café e goiaba, sericicultura no Norte Pioneiro, além de grandes culturas como soja, milho, trigo, cevada e cana-de-açúcar. O estudo também analisará áreas com solos degradados, com foco em diagnóstico e regeneração.

Além de identificar áreas com necessidade de correção, permitindo o uso mais eficiente do solo e a otimização no uso de fertilizantes, o mapa ajudará na formulação de políticas públicas voltadas à saúde do solo e na elaboração de estratégias de controle e prevenção de doenças.

O projeto Solo Vivo, Paraná Forte – Mapa Genético dos Solos Paranaenses tem investimento de R$ 2 milhões, com recursos do Fundo Paraná, gerido pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). A iniciativa se alinha aos três pilares do conceito de Saúde Única – saúde humana, saúde animal e saúde ambiental – que o Tecpar vem desenvolvendo desde 2025.

Para Marafon, "por meio deste estudo, o agronegócio paranaense terá acesso a indicadores científicos capazes de transformar práticas agrícolas, com impactos diretos na cadeia agroindustrial, ampliando a produção de alimentos com sustentabilidade". O projeto posiciona o Paraná como referência nacional em biotecnologia aplicada à agricultura sustentável, unindo inovação tecnológica ao manejo responsável dos recursos naturais.