O Paraná vive um momento de alívio, mas sem baixar a guarda, no combate à dengue. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) revelam uma queda vertiginosa no número de casos confirmados da doença no início de 2026. No comparativo com o mesmo período do ano passado, os registros despencaram de 52.193 para 2.028, uma redução de 96,1%. O cenário mais dramático, o dos óbitos, também apresentou uma melhora expressiva: saiu de 90 mortes em 2025 para apenas 1 neste ano, uma queda de 98,8%.
Os números, compilados pelo Setor de Arboviroses da Sesa, compreendem a semana epidemiológica de 1 a 14 de 2026, que abrange os meses de janeiro até o dia 14 de março. O levantamento mostra a manutenção de uma tendência de queda que já havia sido registrada em 2025. Quando se amplia a análise para um cenário de três anos, a queda se torna ainda mais significativa: entre os mesmos períodos de 2024 e 2026, a redução foi de 99,3%.
"Essa redução de casos que se mantém em 2026 é fruto de todo o trabalho que a Sesa tem feito após os recordes históricos de 2024, que foi um movimento que aconteceu em todo o Brasil. Aqui no Paraná trabalhamos para que a dengue não leve mais tantas vidas como antes e, apesar de lamentarmos esta morte em 2026, temos motivos para entender que todos estão fazendo a sua parte", afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
Os esforços conjuntos da Sesa, dos municípios e da sociedade civil refletiram diretamente na queda expressiva do número de óbitos. Em 2024, o Paraná havia registrado 414 mortes nos três primeiros meses do ano. Em 2025, esse número caiu para 90 e, em 2026, chegou a apenas 1.
No entanto, o secretário faz um alerta importante: a queda não significa que o estado esteja livre da dengue. Ao todo, 372 municípios já apresentaram notificações da doença em 2026, e 203 possuem casos confirmados. As regiões Norte e Noroeste do Paraná concentram o maior número de registros. A 17ª Regional de Saúde de Londrina lidera com 534 casos confirmados, seguida pela 14ª RS de Paranavaí, com 291, e pela 15ª RS de Maringá, com 194.
A Sesa mantém uma atuação integrada com todos os 399 municípios do estado no combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Entre as ações estão capacitações de profissionais e o desenvolvimento de estratégias de controle. Em 2025, foi apresentado o protocolo "Novas Diretrizes para Prevenção e Controle de Arboviroses" – doenças causadas por vírus transmitidos por artrópodes, como mosquitos – em eventos para todos os municípios paranaenses.
O estado também tem reforçado o uso de tecnologias inovadoras. Uma delas é a utilização das armadilhas ovitrampas como método de monitoramento do Aedes aegypti. Essas armadilhas servem como criadouro artificial para a fêmea do mosquito depositar seus ovos, permitindo a análise de dados como o índice de infestação e a definição de estratégias de combate mais precisas. Atualmente, 353 dos 399 municípios do Paraná fazem esse monitoramento.
Outro trunfo do Paraná é a maior biofábrica do mundo de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, os chamados "Wolbitos", localizada no Parque Tecnológico da Saúde do Governo do Paraná, em Curitiba. A unidade vai ampliar a produção em larga escala de mosquitos capazes de atuar na redução da transmissão viral, uma vez que a bactéria impede que o vírus da dengue se desenvolva no inseto.
Paralelamente, o estado iniciou a ação de imunização dos profissionais de saúde com a nova vacina contra a dengue. Na primeira fase, após receber 31.500 doses do Governo Federal, foram vacinados parte dos trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS), conforme diretrizes nacionais.
Apesar dos números positivos, a Sesa mantém o alerta. Dados do Laboclima da Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostram que o mês de março foi de risco climático em quase todo o Paraná, reforçando que a sazonalidade – a ideia de que a dengue é uma doença apenas do verão – não é mais um fator decisivo. "A imprevisibilidade climática atual, com mudanças rápidas de temperatura e umidade, exige que as ações de vigilância sejam permanentes, pois as condições favoráveis à proliferação do mosquito podem persistir mesmo em períodos de queda nos casos", reforçou o secretário César Neves.
Diante desse cenário, a participação da população continua sendo fundamental. Confira algumas medidas simples que todos podem adotar para ajudar no controle do Aedes aegypti:
- Tampe caixas d'água e proteja os ralos com telas;
- Higienize bebedouros de animais de estimação;
- Deixe os recipientes que possam acumular água de boca para baixo;
- Descarte pneus velhos junto ao serviço de limpeza urbana; se precisar mantê-los, deixe em locais cobertos e protegidos da chuva;
- Retire a água acumulada da bandeja externa da geladeira;
- Limpe calhas e a laje da casa e coloque areia nos cacos de vidro do muro que possam acumular água;
- Coloque areia nos pratos dos vasos de plantas;
- Descarte todo e qualquer lixo de forma correta, com lixeiras fechadas e abrigadas da chuva;
- Verifique os quintais e varandas para não deixar nada que possa acumular água. Uma tampinha de garrafa pode ser suficiente para o desenvolvimento do mosquito.
A mensagem é clara: a guerra contra a dengue no Paraná está longe de terminar, mas os resultados mostram que a união de esforços entre poder público e população está no caminho certo para salvar vidas.

