Com a chegada da Páscoa, o consumo de pescados aumenta significativamente em todo o Brasil, especialmente durante a Sexta-Feira Santa, quando muitas famílias mantêm a tradição de substituir a carne vermelha por peixes. No entanto, na hora da compra, uma dúvida frequente paira sobre os consumidores: como saber se o peixe está realmente fresco? Como garantir qualidade e segurança alimentar para a família?

Para orientar a população nesse momento tão importante, o trabalho desenvolvido pelo Instituto de Pesca, vinculado à APTA da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, tem sido fundamental. A instituição reúne conhecimento científico, promove ações educativas e disponibiliza publicações acessíveis ao público, ajudando os brasileiros a fazerem escolhas mais seguras e conscientes.

A escolha começa no ponto de venda

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O primeiro passo para garantir um bom peixe é escolher o local de compra. Prefira sempre estabelecimentos regularizados pela Vigilância Sanitária – aqueles que exibem o alvará de funcionamento em local visível. Mas a observação atenta do produto é igualmente importante. Especialistas do Instituto de Pesca destacam cinco sinais essenciais que todo consumidor deve verificar:

Olhos: devem estar brilhantes, transparentes e salientes, nunca fundos, opacos ou embaçados. Olhos afundados são um dos primeiros sinais de que o peixe não está mais fresco.

Brânquias (guelras): precisam apresentar coloração avermelhada ou rosada, estar úmidas e sem muco excessivo. Brânquias escuras, amarronzadas ou com odor forte indicam deterioração.

Escamas: devem estar firmes, bem aderidas ao corpo e com brilho natural. Se as escamas se soltam com facilidade ou apresentam aspecto opaco, é melhor evitar a compra.

Carne: precisa ter consistência firme e elástica. Ao pressionar levemente com o dedo, a carne deve voltar rapidamente à posição original, sem deixar marcas profundas.

Odor: deve ser suave, lembrando o mar ou água salgada. Cheiro forte, amoniacal ou azedo é sinal claro de que o peixe já começou a se deteriorar.

A temperatura é crucial

Outro ponto que merece atenção especial é a conservação do produto. O pescado fresco deve estar sempre sobre uma camada generosa de gelo, mantido próximo de 0°C. A ausência de gelo ou o armazenamento em temperatura ambiente comprometem rapidamente a qualidade e a segurança do alimento.

Uma dica valiosa dos especialistas: deixe o peixe para o final das compras, reduzindo assim o tempo que ele fica fora da refrigeração adequada. Se possível, utilize uma bolsa térmica para transportá-lo até casa, especialmente em dias mais quentes.

E o peixe congelado?

Para quem opta pelo peixe congelado, também é possível garantir qualidade seguindo algumas orientações simples:

Verifique sempre a data de validade impressa na embalagem

Observe se há cristais de gelo dentro da embalagem – isso pode indicar que o produto foi descongelado e congelado novamente

Confira se o freezer do estabelecimento está na temperatura correta (idealmente a -18°C)

Nunca recongele um peixe que já foi descongelado – isso compromete a textura e pode representar riscos à saúde

Muito além do sabor: os benefícios do pescado

O pescado é considerado uma das proteínas mais completas do ponto de vista nutricional. Rico em ômega 3 – ácido graxo associado à saúde do coração e do cérebro –, é também fonte de proteínas de alta digestibilidade, o que significa que nosso organismo aproveita melhor esses nutrientes.

Além disso, contém vitaminas importantes como A, D e complexo B (especialmente B12, essencial para o sistema nervoso) e é rico em minerais como ferro, cálcio, fósforo e iodo. Estudos científicos indicam que o consumo de peixe de duas a três vezes por semana pode contribuir significativamente para a prevenção de doenças cardiovasculares e apoiar o bom funcionamento do organismo como um todo.

O Instituto de Pesca também incentiva o consumo de espécies menos conhecidas, os chamados peixes não convencionais (Penacos). Essas espécies ajudam a diversificar a alimentação das famílias, muitas vezes com preços mais acessíveis, e fortalecem a economia regional das comunidades pesqueiras.

Informação de qualidade para o consumidor

Para auxiliar os brasileiros a fazerem escolhas mais conscientes não apenas na Páscoa, mas durante todo o ano, o Instituto de Pesca disponibiliza gratuitamente diversas publicações educativas. Esses materiais abordam temas como nutrição, conservação adequada, aproveitamento integral do pescado e segurança alimentar.

Entre os conteúdos disponíveis, destacam-se guias informativos sobre como identificar peixes frescos, cartilhas sobre os benefícios do consumo regular de pescado e orientações sobre preparo e armazenamento. Todo esse material pode ser acessado online, oferecendo informação confiável baseada em pesquisa científica para que cada família possa celebrar a Páscoa com segurança, saúde e sabor.