A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta quarta-feira (9) uma operação para desarticular uma quadrilha especializada em fraudes financeiras que causou prejuízos milionários a empresas de diferentes setores. A ação, batizada de "Operação Fantasma Empresarial", cumpriu nove mandados de busca e apreensão nas cidades de Ribeirão Preto e Limeira, no interior paulista, e determinou o bloqueio de quatro veículos adquiridos com recursos do esquema criminoso.
De acordo com os investigadores da 3ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), a estrutura criminosa era sofisticada e utilizava dados de empresas reais para aplicar golpes, principalmente em fornecedores dos ramos de agropecuária e materiais de informática. Os criminosos criavam empresas fantasmas e se aproveitavam de informações cadastrais legítimas para realizar compras de alto valor, com pagamento previsto em boletos com vencimento de 30 a 60 dias.
"O grupo utilizava o nome e até o endereço eletrônico de empresas idôneas para realizar pedidos de itens de alto valor, como ar-condicionado, dispositivos eletrônicos e até empilhadeiras. As vítimas só percebiam quando começavam a receber cobranças por compras que nunca fizeram", explicou o delegado Fernando David, responsável pela investigação.
A tática dos golpistas era enganar os fornecedores fazendo com que as mercadorias fossem entregues antes da compensação dos boletos. O golpe só era descoberto posteriormente, quando os pagamentos não eram realizados e as empresas legítimas começavam a ser cobradas por dívidas que não contraíram.
A investigação teve início há cerca de oito meses, após uma empresa procurar a polícia ao identificar o uso indevido de seus dados. A partir dessa denúncia, os agentes conseguiram mapear o funcionamento da organização criminosa, que utilizava e-mails falsos e linhas telefônicas em nome de terceiros para dificultar o rastreamento.
"Eles utilizavam estratégias para dificultar o rastreamento das mercadorias, como entregas em locais abertos e o uso de transportadoras por aplicativo. Com autorização judicial, conseguimos a quebra de sigilo telemático e identificar os pontos de origem dos acessos utilizados pelos golpistas", detalhou o delegado.
As diligências apontaram endereços ligados à quadrilha nas duas cidades alvos da operação. Um dos principais investigados, de 29 anos, foi identificado como responsável pela coordenação do esquema, mas até o momento não foi localizado pelos policiais.
Nos imóveis vasculhados durante a operação, as equipes apreenderam documentos, cheques, cartões e equipamentos eletrônicos que seriam utilizados nas fraudes. A ocorrência foi registrada na 3ª DIG, que continua com as investigações para identificar outros envolvidos e possíveis vítimas do esquema criminoso.
O caso segue sob sigilo judicial, e a polícia trabalha agora para quantificar o prejuízo total causado pela quadrilha, que atuava de forma organizada há pelo menos um ano. As empresas que suspeitarem terem sido vítimas de golpes semelhantes podem procurar a delegacia para prestar esclarecimentos.

