A Polícia Civil de São Paulo desmantelou, na tarde de quarta-feira (1º), uma central clandestina de golpes que operava em uma chácara em Mairiporã, na região metropolitana da capital paulista. Onze pessoas, com idades entre 20 e 35 anos, foram presas em flagrante, suspeitas de integrar um esquema de estelionato praticado pela internet.
De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais chegaram ao local após receberem informações que indicavam o funcionamento de uma "central do crime" voltada à aplicação de golpes via Pix. No endereço, os agentes identificaram movimentação suspeita e veículos estacionados na entrada da propriedade, o que reforçou as suspeitas.
Durante a ação, um carro que chegava ao imóvel desobedeceu à ordem de parada e fugiu. Um dos ocupantes foi abordado e confessou que o local era utilizado para a prática criminosa. Dentro da residência, outros dez suspeitos foram encontrados utilizando computadores e celulares, realizando os golpes em tempo real.
Segundo a investigação, a quadrilha enviava mensagens às vítimas simulando compras indevidas. Com receio, as pessoas entravam em contato com uma falsa central de atendimento, onde eram induzidas a realizar transferências via Pix para contas de terceiros, sob o pretexto de cancelar as supostas transações. "Call centers" do crime, como são chamadas essas estruturas, têm se tornado uma preocupação crescente para as autoridades.
As equipes descobriram que os criminosos adquiriam os dados pessoais de vítimas pela internet, pagando cerca de R$ 500 por mil registros. Em alguns casos, também utilizavam informações obtidas em fontes abertas para dar mais credibilidade ao golpe, tornando a abordagem ainda mais convincente.
No local, foram apreendidos notebooks, celulares, acessórios eletrônicos e três veículos. Todo o material foi encaminhado para perícia, que deve ajudar a rastrear outras operações e identificar mais envolvidos.
Os detidos foram levados ao Setor de Investigações Gerais (SIG), da Delegacia Seccional de Franco da Rocha, onde permaneceram presos por estelionato e associação criminosa. As investigações prosseguem para identificar outros integrantes do esquema criminoso.
A ação em Mairiporã faz parte de uma série de operações da Polícia Civil para desarticular quadrilhas que usam imóveis como centrais clandestinas. Em 24 de março, 16 pessoas foram presas em uma "call center" do golpe do falso advogado e outros crimes de estelionato em Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo. A investigação apontou que o bando atuava de forma estruturada, com suporte tecnológico e clara divisão de tarefas.
Dois dias depois, mais 10 pessoas foram detidas em uma central que operava em Suzano, na Grande São Paulo. O bando também se passava por falsos advogados, convencendo as vítimas de que tinham valores a receber em supostas ações judiciais.
Nas duas ações anteriores, foram apreendidos mais de 60 celulares, dezenas de cartões bancários, oito veículos, diversos notebooks e fones de ouvido headset, comumente utilizado por grupos criminosos estelionatários. Esses equipamentos são essenciais para a operação dessas centrais, que funcionam de maneira organizada e com alto volume de golpes.
O caso de Mairiporã reforça a necessidade de atenção da população a mensagens suspeitas e a importância de não fornecer dados pessoais ou realizar transferências sem confirmação da legitimidade da solicitação. As autoridades seguem em alerta para combater esse tipo de crime, que tem se espalhado pelo estado de São Paulo.

