O tratamento contra o câncer vai muito além dos procedimentos médicos e medicamentos. Envolve uma batalha física, emocional e social que exige resiliência e, principalmente, uma rede de apoio sólida. Os oncologistas que atendem no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo reforçam que manter os pacientes motivados durante esse período é crucial para o sucesso do tratamento.
Os tratamentos oncológicos, como quimioterapia, radioterapia e cirurgias, frequentemente geram efeitos colaterais que impactam diretamente o bem-estar, a disposição e a autonomia dos pacientes. Neste Dia Mundial de Luta Contra o Câncer, celebrado em 8 de abril, o oncologista Dr. Marcos Antônio Cavalari, que atua na rede Iamspe na Santa Casa de Misericórdia de São José do Rio Preto, explica que enfrentar um quadro de neoplasia pode ser um dos momentos mais delicados da vida de uma pessoa.
“Por isso, informações sobre os possíveis efeitos colaterais e como combatê-los são fundamentais, assim como a assistência da rede de apoio e a proximidade com a equipe médica”, comenta o médico. Ele destaca que o acompanhamento multidisciplinar – envolvendo psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e assistentes sociais – faz toda a diferença na jornada do paciente.
A experiência de Aparecida Santos, 67 anos, moradora de Santa Albertina, ilustra bem essa realidade. Ela descobriu um câncer colorretal após sentir fortes dores na região da pelve. Após a cirurgia de retirada do tumor, em agosto de 2024, o exame PET Scan identificou nódulos no fígado, o que a levou a iniciar um ciclo de 12 sessões de quimioterapia.
“É um momento de muito medo, e contar com acolhimento nessa fase é essencial para não se abater. Além disso, a agilidade com a qual comecei o tratamento oncológico pelo Iamspe e o compromisso da equipe de saúde da Santa Casa de São José do Rio Preto fizeram toda a diferença no meu tratamento”, relata Aparecida.
Mesmo aposentada, ela decidiu continuar trabalhando como coordenadora em uma escola municipal durante o tratamento. Para ela, manter a rotina profissional foi uma forma de distrair a mente das inseguranças trazidas pela doença. “Eu fazia o esforço que fosse para realizar as minhas atividades. Percebo que lutar contra essa enfermidade transformou a minha visão de mundo e, hoje, dou valor a situações cotidianas, como trabalhar ou conversar com um amigo no corredor”, conclui.
O caso de Aparecida reforça um ponto importante destacado pelos especialistas: a manutenção de atividades que tragam sentido e prazer pode ser terapêutica durante o tratamento. No entanto, isso só é possível quando o paciente conta com uma estrutura de apoio adequada – tanto da família e amigos quanto dos profissionais de saúde.
Os oncologistas do Iamspe alertam que, sem essa rede, muitos pacientes podem desenvolver quadros de depressão, ansiedade e isolamento social, que prejudicam diretamente a resposta ao tratamento. Por isso, instituições de saúde têm investido cada vez mais em programas de humanização e suporte psicossocial, entendendo que cuidar do emocional é tão importante quanto tratar o físico.
No Brasil, onde o Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta desafios de infraestrutura e filas de espera, a agilidade no início do tratamento – como experimentada por Aparecida – pode significar a diferença entre a cura e a progressão da doença. A integração entre hospitais, clínicas e planos de saúde, como o oferecido pelo Iamspe aos servidores públicos estaduais, mostra-se um modelo eficiente nesse sentido.
O Dia Mundial de Luta Contra o Câncer serve como um lembrete anual de que vencer essa doença requer mais do que avanços tecnológicos e medicamentos inovadores. Requer um olhar humano, compreensivo e integrado sobre quem enfrenta esse desafio. Como resume Dr. Cavalari, “informação, apoio e proximidade” são os pilares que sustentam o paciente em sua jornada – e que podem fazer toda a diferença no resultado final.

