Nesta segunda-feira (15), Ribeirão Preto deu um salto significativo no cenário científico e tecnológico brasileiro com a inauguração de dois importantes equipamentos de pesquisa. O InovaUSP – Complexo Ribeirão Preto e o Centro de Pesquisa em Ciências Biomédicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (CPCBio) representam juntos um investimento superior a R$180,7 milhões e prometem transformar a região em um polo de inovação de referência nacional.

A cerimônia de inauguração contou com a presença do vice-governador do estado de São Paulo, Felicio Ramuth, que destacou o significado estratégico das obras. "Esses dois equipamentos mostram, na prática, o compromisso do Governo de São Paulo com o futuro. Investir em ciência, tecnologia e inovação é investir em desenvolvimento econômico, geração de oportunidades e melhoria da qualidade de vida da população", afirmou o vice-governador.

Também estiveram presentes o reitor da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Gilberto Carlotti Júnior, e a secretária executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, Stephanie da Costa, que enfatizou a importância da colaboração. "As duas inaugurações de hoje compartilham uma característica em comum: inovação não se faz sozinho, mas por meio do trabalho em conjunto, colaborativo", observou Stephanie.

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InovaUSP: integração entre academia e indústria

O InovaUSP – Complexo Ribeirão Preto começou suas atividades em 2022 com o objetivo de integrar laboratórios independentes e promover colaboração interdisciplinar. Após estudos urbanísticos, arquitetônicos e estruturais, as obras tiveram início em abril de 2024 e devem ser concluídas até o final de 2025.

Com três pavimentos e 4.174,65 m² de área construída, o complexo recebeu investimento de R$31,5 milhões. O reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior explicou a vocação do espaço: "Estamos criando um ambiente para termos empresas aqui dentro da universidade, para que elas tenham o poder de induzir a nossa pesquisa a ser mais rápida, mais eficiente e mais qualificada". Ele destacou ainda o foco regional: "o de Ribeirão Preto tem a missão de ser um centro de inovação voltado para a saúde e o agro, áreas em que a USP tem uma grande tradição".

Entre os principais componentes do InovaUSP estão o Laboratório Certificado para Estudos Avançados em Modelos Animais, Laboratório de Desenvolvimento com uso rotativo através de editais, e o NIDUS – primeira residência em inovação do Brasil.

CPCBio: salto na pesquisa biomédica

O novo Centro de Pesquisa em Ciências Biomédicas da FMRP representa um marco para a ciência brasileira. Com investimento de R$149,2 milhões e 25.400 m² de área construída, o prédio abrigará cinco departamentos: Fisiologia, Farmacologia, Biologia Celular e Molecular e Bioagentes Patogênicos, Bioquímica e Genética.

O diretor da unidade, professor Jorge Elias Junior, destacou o impacto esperado: "O impacto será significativo na produção científica da unidade, promovendo condições ideais para o desenvolvimento de pesquisas avançadas e permitirá a redistribuição de atividades administrativas para o Prédio Central".

A estrutura inclui 187 salas de ensino e administrativas, 238 salas de laboratório e 1.705 m² de área técnica. O reitor Carlotti Junior explicou a necessidade do novo centro: "O prédio central da Faculdade de Medicina é tombado e dificulta adaptações. Precisávamos de um equipamento novo de pesquisa para dar um salto de qualidade". Ele ainda ressaltou a modernidade do projeto: "Não faz sentido termos o mesmo equipamento repetido em vários laboratórios. A Fapesp nos ensinou a lógica dos multiusuários, e esse prédio segue esse modelo moderno".

Campus de Ribeirão Preto: números que impressionam

O campus da USP em Ribeirão Preto consolida-se como um dos mais importantes do país. Em 2025, oferecerá 1.385 vagas de graduação, com 6.751 estudantes matriculados nesse nível. A pós-graduação conta com 3.379 alunos distribuídos em 54 programas, além de 7.303 estudantes em cursos de especialização, MBA e residências – totalizando 17.433 alunos em formação.

Essa estrutura acadêmica é sustentada por 919 professores e 1.677 funcionários que atuam no apoio administrativo, técnico e de pesquisa. Com os novos centros inaugurados, a expectativa é que esses números ganhem ainda mais relevância no cenário científico nacional e internacional.

Os dois equipamentos representam não apenas um avanço na infraestrutura de pesquisa, mas também uma aposta estratégica no futuro da ciência brasileira, reforçando o papel de São Paulo e particularmente de Ribeirão Preto como polos de excelência em inovação tecnológica e biomédica.