O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou nesta sexta-feira (13) que o medicamento Ozempic será incorporado à rede pública de saúde do município a partir da próxima semana. O anúncio foi feito durante agenda com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio de Janeiro, com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

"Na terça-feira que vem – a gente está esperando o anúncio do [ministro da Saúde, Alexandre] Padilha, então, está saindo cara essa conta –, nós introduzimos o Ozempic na rede pública de saúde da cidade do Rio de Janeiro, no super centro da Zona Oeste", declarou Paes durante o evento.

O prefeito aproveitou a ocasião para fazer um apelo direto ao governo federal, pedindo que o medicamento seja incorporado em todo o Sistema Único de Saúde (SUS). "O povo quer Ozempic, presidente. Bota pilha no Padilha. Acelera com o Padilha. O senhor tem que colocar Ozempic na rede pública do SUS do Brasil inteiro", afirmou Paes, em tom descontraído mas com clara intenção política.

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O Ozempic é um dos diversos medicamentos agonistas do receptor GLP‑1, popularmente conhecidos como "canetas emagrecedoras". Esses medicamentos são indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e, mais recentemente, têm sido utilizados também para o controle da obesidade. O grupo inclui substâncias como a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida (princípio ativo do Ozempic) e a tirzepatida.

A incorporação do medicamento na rede pública do Rio de Janeiro ocorre em um momento de crescente demanda por tratamentos para obesidade e diabetes no Brasil. A decisão municipal antecede possíveis medidas em nível federal e coloca o Rio na vanguarda das políticas públicas de saúde relacionadas a essas condições.

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tomou medidas para regulamentar o uso desses medicamentos. A agência proibiu as versões manipuladas da semaglutida e determinou a retenção de receita para venda das "canetas" como o Ozempic, em resposta ao aumento do uso sem prescrição adequada e aos riscos associados a produtos alternativos.

Médicos e especialistas em saúde têm alertado para os perigos do uso indiscriminado desses medicamentos, que podem causar efeitos colaterais significativos quando não acompanhados por profissionais. A incorporação na rede pública, com acompanhamento médico, pode representar uma alternativa mais segura para pacientes que necessitam do tratamento.

A decisão do município do Rio de Janeiro levanta questões sobre o custo-benefício da incorporação, considerando o alto preço do medicamento no mercado. Paes mencionou durante o anúncio que "está saindo cara essa conta", indicando que a prefeitura está ciente do impacto financeiro da medida.

O anúncio ocorre em um contexto de discussões mais amplas sobre o acesso a medicamentos de alto custo no SUS e sobre as políticas públicas para enfrentamento da obesidade, que afeta cerca de 20% da população adulta brasileira segundo dados do Ministério da Saúde.