O Rio de Janeiro enfrenta uma onda de calor extremo que levou o governo estadual a montar uma força-tarefa para desenvolver ações em diversas áreas, com foco especial na saúde. As unidades de pronto atendimento (UPA) receberam reforço de equipes para agilizar o atendimento de pessoas com sintomas decorrentes das altas temperaturas, como náuseas, dor de cabeça, temperatura corporal elevada, tontura, taquicardia e desidratação.

Em coletiva para anunciar as ações coordenadas, a secretária de estado de Saúde, Cláudia Mello, destacou que o período do réveillon é particularmente preocupante devido ao maior número de pessoas na cidade. "A gente não tem nenhum registro de óbito com notificação nesta onda de calor", afirmou, sem descartar a possibilidade de novas ocorrências. Ela revelou que, segundo estudos da secretaria, o dia 18 de novembro de 2023 registrou o número mais elevado de óbitos por calor extremo, mas até o momento não há mortes confirmadas na atual onda.

Hidratação em pontos estratégicos

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Uma das principais ações adotadas é a hidratação da população. Desde domingo (28), a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) distribuiu 15 mil litros de água e 3,4 toneladas de gelo nas praias do Leme, Copacabana, Arpoador, Ipanema e Leblon. Nesta segunda-feira, pontos de hidratação foram instalados em terminais de transporte como a estação Central do Brasil, Bangu, Campo Grande e Madureira – locais que concentram grande fluxo de pessoas e são considerados ilhas de calor.

De acordo com o diretor-presidente da Cedae, Aguinaldo Ballon, a intenção é expandir o esquema para outros municípios, como Nova Iguaçu. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) também instalou bebedouros nas unidades de saúde, disponíveis para pacientes e qualquer pessoa próxima ao local. Nos atendimentos, foi adotado um protocolo de classificação de risco e manejo clínico para pacientes com sintomas relacionados ao calor.

Monitoramento e segurança nas praias

Outras ações do governo incluem monitoramento meteorológico, segurança nas praias, vigilância ambiental e atendimento especial a grupos vulneráveis. No centro da capital, começou hoje o atendimento à população em situação de rua. "O objetivo das ações coordenadas é a prevenção e a resposta rápida, o que já está acontecendo", afirmou o secretário de estado de Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi.

Desde o dia 19 de dezembro, quando começou a Operação Verão do Corpo de Bombeiros, mais de 19 mil pessoas foram resgatadas do mar – 13 mil só na capital. Os bombeiros estão usando drones com alertas sonoros sobre riscos de banhos noturnos e implantaram 38 postos móveis de guarda-vidas. No mesmo período, 3,1 mil crianças perdidas foram localizadas nas praias.

Charbio Marchett Pinho Guijarro, da Secretaria de Estado de Defesa Civil, ressaltou o reforço de mais de mil homens atuando nas praias de todo o estado. Para crianças desaparecidas, a recomendação é levá-las a um posto de guarda-vidas. "O aconselhamento aos responsáveis é que crianças recebam alguma pulseirinha de identificação com número de telefone do seu responsável, principalmente neste período de praias lotadas", completou.

Abastecimento garantido

O diretor-presidente da Cedae garantiu que não há risco de desabastecimento de água no estado, mesmo com o aumento do consumo no verão. Ballon explicou que o Sistema Guandu, responsável pela maior parte do abastecimento, recebe água via região de Piraí e não registra problemas. "O abastecimento está normal e a previsibilidade para o verão é não ter nenhuma restrição hídrica", disse, acrescentando que eventuais restrições no sistema de Acari são compensadas pela produção do Guandu.

O secretário Bernardo Rossi reforçou a importância da união de esforços: "É importante essa união de esforços. Nós temos até o dia 2 ou 3, uma onda severa de calor. O governo do estado está, sim, preparado e está monitorando a situação para cuidar da vida das pessoas". Com a previsão de calor intenso e chuvas isoladas até o réveillon, as autoridades seguem em alerta para minimizar os impactos da temperatura extrema na população.