A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) realizou 2.335 vistorias técnico-operacionais em imóveis de veraneio nas cidades de Matinhos e Pontal do Paraná, no litoral do estado, entre janeiro e março deste ano. O objetivo das inspeções foi verificar se as residências estão corretamente conectadas à rede coletora de esgoto da empresa. Durante esse trabalho, foram identificadas irregularidades em 875 propriedades, o que representa aproximadamente 37% dos imóveis vistoriados.
As ações fazem parte do programa de proteção das águas no litoral paranaense e acontecem ao longo de todo o ano, com reforço durante o verão, período de maior concentração de veranistas na região. Para a temporada 2026, as equipes de vistoria adotaram uma estratégia adicional: realizar testes para medir a quantidade de oxigênio na água de canais localizados na área urbana. As áreas escolhidas para as inspeções foram justamente aquelas que apresentaram os índices mais baixos de oxigênio dissolvido.
Durante as visitas, os moradores e veranistas recebem orientações detalhadas sobre a correta interligação do esgoto à rede coletora da Sanepar. Se os problemas identificados não forem solucionados dentro de 30 dias, a companhia pode aplicar uma multa chamada de sanção pecuniária, cujo valor é calculado com base na média de consumo de água dos últimos cinco meses.
"Nosso objetivo foi aproveitar a presença dos veranistas para fazer não apenas a vistoria técnica, mas um trabalho de educação ambiental direto", afirma o gestor da área de vistorias técnico-operacionais da Sanepar, Fábio Daia dos Santos Zuza.
Um dos principais desafios enfrentados pelas equipes é a grande quantidade de imóveis fechados durante as visitas. Nestes casos, comunicados oficiais com os contatos da equipe são deixados nas residências para possibilitar o agendamento prévio da vistoria. Também é possível agendar pelo telefone 0800 200 0115 ou em uma das centrais de atendimento da Sanepar.
Paralelamente às vistorias, a Sanepar realiza uma série de análises de qualidade da água nos mananciais do litoral durante a temporada de verão, com coletas que vão de dezembro a abril. São estudos feitos nas áreas de captação de água direcionadas para as estações de tratamento e ao longo dos canais que chegam ao mar. No total, 16 pontos foram avaliados na campanha 2025/2026.
Entre os parâmetros analisados estão pH, quantidade de sólidos dissolvidos, salinidade, oxigênio dissolvido e análise de microbiologia. Os resultados apontaram aumento nos níveis de microrganismos que podem indicar lançamento irregular de esgoto, mau uso do solo, presença de fertilizantes ou dejetos de animais.
De acordo com a geóloga da Gerência de Recursos Hídricos da Sanepar, Eduarda Lopes Postol, as bacias hidrográficas utilizadas como captações pela companhia são preservadas por estarem mais distantes do ambiente urbano, o que contribui para a redução dos riscos de contaminação.
"Assim que a água adentra a Estação de Tratamento de Água (ETA) são removidos os compostos orgânicos e atendidos os padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação. Por isso, a água de consumo tratada pela Sanepar não apresenta riscos de contaminação. Em sua fonte, ela apresenta os melhores padrões biológicos e ainda passará por etapas de desinfecção antes da distribuição", explica a geóloga.
Já os canais que não são utilizados para abastecimento público apresentaram altos valores de contagem de microrganismos ao longo de todos os meses de análise. "Os altos valores de fósforo encontrados indicam a contaminação do corpo hídrico por despejo de esgoto não tratado, provenientes de ligações irregulares", diz Eduarda.
O reflexo das irregularidades nas bacias hidrográficas é a alteração dos padrões de qualidade da água, e quando a água bruta do rio se mistura com o mar, pode se tornar um vetor de contaminação nos momentos de lazer e recreação.
A interligação correta na rede coletora de esgoto é essencial neste contexto. Além de evitar o extravasamento de esgoto nas ruas, protege o lençol freático e contribui para a balneabilidade das praias, refletindo diretamente na saúde pública e na preservação do meio ambiente.
Eduarda observa que os resultados das análises auxiliam a companhia na tomada de decisões sobre adoção de estratégias para cuidar da água e do meio ambiente e melhorar a qualidade dos mananciais em todo o percurso até chegar no mar. "Todo o manancial tem que estar saudável e conservado para termos uma água boa e de qualidade".
Além das ações educativas sobre a importância de interligar o esgoto na rede coletora e das vistorias técnico-operacionais, a Sanepar também desenvolve outras iniciativas, como a implantação de parques lineares em áreas degradadas. No litoral, está em fase de contratação a execução de um parque linear em Pontal do Paraná.

