O estado de São Paulo está escrevendo um novo capítulo na educação brasileira. Dados revelam um crescimento histórico de 134% no número de estudantes matriculados no Ensino Médio Técnico, saltando de 136,8 mil em 2023 para uma projeção de 321 mil em 2026. Esse avanço coloca São Paulo no caminho para igualar a média dos países da OCDE, que hoje é de 44% dos alunos no ensino técnico.

"Em 2026, o Estado de São Paulo terá muito mais alunos saindo da escola com dois diplomas: o de Ensino Médio e o de educação profissional. Com esse número de alunos no ensino técnico, vamos alcançar um padrão de país OCDE, dando um exemplo para o Brasil", afirma o governador Tarcísio de Freitas. Ele destaca que os cursos oferecidos estão alinhados com a vocação econômica do estado e suas regiões, preparando os jovens para o mercado de trabalho.

O secretário estadual de Educação, Renato Feder, reforça a importância estratégica dessa expansão. "Para a OCDE, o acesso ao ensino técnico é importante para o desenvolvimento de um país porque aumenta a empregabilidade e a renda dos jovens, fortalece a economia por meio da formação de mão de obra qualificada e contribui para a redução das desigualdades sociais", explica. Segundo ele, quando os estudantes são capacitados com habilidades práticas alinhadas às necessidades do mercado, toda a economia ganha em produtividade, inovação e competitividade.

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O crescimento tem sido consistente. Em 2023, apenas 16,6% dos alunos da 2ª e 3ª séries do Ensino Médio estavam no técnico. Esse percentual subiu para 22,2% em 2024, deve chegar a 33% em 2025 e alcançará 40% em 2026. Nas escolas da Secretaria da Educação (Seduc-SP), a educação profissional começa na 2ª série, e em 2025 chegará a 2.212 unidades. Na 1ª série, os estudantes escolhem seu itinerário formativo, que pode ser Humanas, Exatas ou Técnico.

Mas os números ganham vida real nas histórias de estudantes como Analy Alexandre Justino, de 18 anos, de Cunha, no interior paulista. Aluna do curso de administração na Escola Estadual Paulo Virgínio Cunha, ela aplica o que aprende na escola para ajudar o irmão, ceramista, a expandir seu negócio. "Já aumentamos em quase quatro vezes o número de seguidores das redes sociais do ateliê", conta Analy, que vê o ensino técnico como uma transformação em sua vida. "É muito legal aprender na escola e chegar no ateliê e colocar em prática aquilo que estou aprendendo. No começo, eu sentia medo de fazer contas, e não tenho mais".

A rede estadual oferece 60 cursos técnicos diferentes, ministrados de quatro formas: por professores da Seduc-SP nas escolas estaduais, por professores das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) nas unidades estaduais, ou em parceria com Senai e Senac. Atualmente, nove formações são oferecidas dentro das escolas, como administração, agronegócio e enfermagem, com dois novos cursos (eletrônica e meio ambiente) chegando em 2026.

Os estudantes também podem participar do Programa BEEM (Bolsa Estágio Ensino Médio), que deve contratar 10 mil jovens até o fim de 2025, com bolsas de até R$ 851,46 mensais. Além disso, o governo investiu mais de R$ 60 milhões para equipar 130 novos laboratórios de farmácia e enfermagem em 129 escolas, beneficiando mais de 5.700 estudantes.

Essa expansão do ensino técnico em São Paulo não é apenas um aumento de vagas, mas uma mudança de paradigma na educação. Conectando sala de aula e mercado, teoria e prática, o estado está formando uma nova geração de profissionais qualificados, prontos para impulsionar a economia e construir um futuro mais promissor.