Desde a grave crise hídrica que assolou a Região Metropolitana de São Paulo entre 2014 e 2015, o governo do estado tem enfrentado o desafio constante de garantir água para mais de 20 milhões de habitantes. A escassez histórica, que deixou reservatórios em níveis críticos, impulsionou uma série de iniciativas para ampliar a resiliência do sistema, combinando grandes obras de infraestrutura com medidas de gestão de demanda.

Um dos projetos emblemáticos é a transferência do Itapanhaú, idealizado em 2018 e que começou a tomar forma com um investimento total de R$ 220 milhões. A obra envolve a captação de água do rio Sertãozinho, localizado em Bertioga, no litoral paulista, e seu transporte por 9 quilômetros de adutoras que descem a Serra do Mar através de túneis e encostas. O destino é a represa Biritiba, em Biritiba Mirim, que integra o Sistema Alto Tietê, crucial para o abastecimento da região.

Atualmente, a interligação já está em operação assistida, adicionando 300 litros por segundo ao sistema, o que equivale a quase 800 milhões de litros de água reforçando o abastecimento integrado. No entanto, o potencial máximo da estrutura só será alcançado em 2026, com a instalação completa das linhas de transmissão de energia. Quando isso ocorrer, a vazão aumentará para 1.700 litros por segundo, ampliando a disponibilidade hídrica do Alto Tietê em 17%. Esse volume adicional é suficiente para suprir o consumo de mais de 700 mil pessoas, representando um avanço significativo na segurança hídrica.

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Além de beneficiar diretamente municípios como Arujá, Suzano, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Poá, Biritiba Mirim, Guararema e Santa Isabel, o projeto tem um impacto amplo na Região Metropolitana de São Paulo. Isso porque a Sabesp opera o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que permite a transferência de água entre diferentes subsistemas, equilibrando os níveis de armazenamento e evitando colapsos localizados.

Paralelamente, outra obra em andamento pela Sabesp é a interligação Billings-Alto Tietê, com investimento de R$ 500 milhões. Prevista para entrar em operação em 2027, ela permitirá a transferência de 4 mil litros por segundo de água bruta entre as represas, reforçando ainda mais a capacidade do sistema frente a eventuais crises.

Enquanto as grandes obras avançam, medidas de gestão de demanda também têm sido implementadas para preservar os mananciais. Desde 27 de agosto, o Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, composto por Arsesp e SP Águas, determinou a redução da pressão noturna da água na Região Metropolitana de São Paulo, aplicada das 19h às 5h. Essa ação temporária já resultou na economia de quase 33,6 bilhões de litros de água, volume que corresponde ao consumo mensal de 5,89 milhões de pessoas ou mais de sete meses do consumo da população de São Bernardo do Campo.

Essas iniciativas refletem uma abordagem multifacetada para enfrentar a vulnerabilidade hídrica, combinando inovação tecnológica, investimentos robustos e mudanças comportamentais. Embora os desafios persistam, especialmente com as mudanças climáticas, os esforços em curso indicam um caminho promissor para assegurar que a água não falte novamente na maior metrópole do país.