O Governo de São Paulo está implementando uma estratégia abrangente para fortalecer a segurança hídrica do estado, combinando tecnologia de ponta com investimentos históricos em infraestrutura. Em um cenário onde as mudanças climáticas têm intensificado períodos de estiagem, as medidas buscam garantir o abastecimento de água para a população paulista, especialmente na região metropolitana, onde vivem mais de 20 milhões de pessoas.
Monitoramento inteligente em tempo real
Um dos pilares dessa estratégia é o novo modelo de monitoramento dos mananciais, considerado inédito no Brasil. Operado pelo Sistema Integrado Metropolitano (SIM), o sistema reúne dados dos sete reservatórios interligados da Grande São Paulo, permitindo uma gestão integrada e em tempo real. Além dos índices pluviométricos tradicionais, a plataforma oferece comparativos históricos que possibilitam decisões baseadas no desempenho conjunto dos mananciais, e não apenas em sistemas isolados.
A metodologia estabeleceu sete faixas de atuação correspondentes aos níveis dos reservatórios, funcionando como um semáforo de criticidade. Cada faixa orienta os gestores sobre medidas específicas a serem adotadas. Nas faixas iniciais (1, 2 e 3), por exemplo, já são implementadas reduções noturnas da pressão da água por 8 a 10 horas para preservação dos mananciais. Conforme a situação se agrava, essas reduções podem chegar a 16 horas diárias, e no cenário mais crítico (faixa 7), é acionado o rodízio de abastecimento entre regiões.
Obras que transformam o sistema hídrico
Paralelamente ao monitoramento, o estado tem realizado investimentos maciços em obras de resiliência hídrica. Nos últimos anos, a Sabesp concluiu projetos estratégicos como a transposição do Jaguari-Atibainha, que permite transferir água da bacia do Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira; o sistema São Lourenço, com capacidade de captar 6,4 mil litros por segundo; e a transferência do Itapanhaú para o Sistema do Alto do Tietê, com 2,5 mil litros por segundo.
Duas obras em construção prometem impactar ainda mais o sistema: a interligação Billings-Alto Tietê, que captará 4 mil litros por segundo do braço do Rio Pequeno na represa Billings, e a travessia subaquática Santos-Guarujá, com capacidade para transportar 500 litros de água tratada por segundo entre as cidades do litoral paulista.
Em 2025 e 2026, uma série de ampliações e modernizações foram concluídas, incluindo a expansão da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Rio Grande (com investimento de R$ 120 milhões), a modernização da ETA Alto da Boa Vista (R$ 25 milhões), além de obras na ETA Embu-Guaçu, na nova Estação de Tratamento de Esgoto de Paulínia, e nas ETAs Guarapiranga, Melvi e Mambu Branco na Baixada Santista.
Investimentos recorde após desestatização
O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão nos investimentos em saneamento no estado. Com a desestatização da Sabesp realizada em julho de 2024, a empresa aplicou R$ 15,2 bilhões em obras - valor 120% superior aos R$ 6,9 bilhões do ano anterior e o maior investimento anual da história do setor no estado.
"Esses investimentos fortalecem a proteção dos recursos hídricos, reduzem a poluição, melhoram a qualidade de vida das pessoas e promovem desenvolvimento sustentável em todas as regiões do estado", afirmou a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de SP, Natália Resende.
Os resultados começam a aparecer: em pouco mais de um ano após a privatização, a Sabesp reduziu em aproximadamente 22% o volume de esgoto lançado sem tratamento adequado na região metropolitana. Essa queda representa cerca de 5.500 piscinas olímpicas a menos de esgoto bruto chegando mensalmente ao meio ambiente, com impacto direto na proteção de mananciais estratégicos como Tietê, Guarapiranga e Billings.
Aceleração rumo à universalização
O Marco Legal do Saneamento estabelece metas nacionais ambiciosas: até 2033, 99% da população deve ter acesso à água tratada e 90% ao tratamento de esgoto. A privatização da Sabesp, no entanto, permitirá que São Paulo antecipe essas metas em quatro anos, com previsão de alcançar a universalização já em 2029.
Para cumprir esse cronograma acelerado, a empresa vai investir R$ 70 bilhões nos próximos anos. Os recursos financiarão não apenas as grandes obras de infraestrutura hídrica, mas também a expansão das redes de distribuição e coleta de esgoto em todo o estado, garantindo que mais paulistas tenham acesso a um serviço essencial para a saúde pública e a qualidade de vida.
A combinação de tecnologia avançada de monitoramento, obras estratégicas e investimentos recorde forma um tripé que busca transformar a relação de São Paulo com seus recursos hídricos. Em um estado que já enfrentou crises severas de abastecimento, essas iniciativas representam um esforço estruturante para construir resiliência frente aos desafios climáticos e demográficos do século XXI.

