Na semana em que se celebra o Dia Mundial da Água, em 22 de março, São Paulo reafirma sua posição de destaque no cenário nacional da produção de água mineral. De acordo com o levantamento mais recente da Agência Nacional de Mineração (ANM), referente a 2024, o estado produziu impressionantes 6,4 bilhões de litros, o que corresponde a 26% de toda a produção brasileira.

Com esse resultado, São Paulo se mantém na liderança nacional, seguido por Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará, conforme dados da ANM, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia. A posição de vanguarda não é fruto do acaso, mas sim de uma combinação de fatores que inclui capacidade industrial, tradição histórica e políticas de estímulo ao setor.

O Governo de São Paulo anunciou recentemente a inclusão da água mineral no terceiro conjunto de mercadorias que passam a integrar o processo de eliminação do regime de substituição tributária (ST) do ICMS, com implementação prevista para julho. A medida, publicada na quarta-feira (18) no Diário Oficial do Estado, alcança outros 50 itens, como telhas cerâmicas, sorvetes e produtos de papelaria, ampliando a simplificação tributária sobre produtos que representam mais de 25% da arrecadação desse regime.

Publicidade
Publicidade

Além das medidas de estímulo fiscal, outro fator que explica o protagonismo paulista é sua robusta capacidade industrial. O estado concentra o maior número de portarias de lavra — concessões federais para aproveitamento industrial de jazidas minerais — e unidades engarrafadoras do país. Polos importantes se espalham por regiões como Mogi das Cruzes, Campos do Jordão, Bauru, Águas da Prata e Lindóia. Atualmente, são 336 empreendimentos produtores, sendo 90% de micro e pequeno porte, distribuídos em cerca de 100 municípios paulistas.

Cidades paulistas se destacam na produção nacional

Mogi das Cruzes, localizada na região leste da Grande São Paulo, é a maior produtora de água mineral do estado e também a que mais arrecadou, em 2025, a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Naturais (CFEM). Este recurso é pago pelas mineradoras à União, estados e municípios pela utilização econômica de recursos minerais. A cidade recebeu R$ 5,5 milhões pela produção de água mineral. Nas 10 primeiras colocações no ranking nacional de arrecadação de CFEM, além de Mogi das Cruzes, destacam-se Águas da Prata, Campos do Jordão, Lindóia e Bauru, todas cidades paulistas com notável desempenho tanto em produção quanto em arrecadação do tributo federal.

Exploração histórica no interior paulista

Águas da Prata, estância hidromineral localizada na Serra da Mantiqueira, na região leste do estado, é considerada um dos marcos iniciais na exploração de água mineral no interior de São Paulo. Conhecida por suas águas extraídas de fontes naturais minerais de poços profundos em áreas de preservação ambiental, a cidade recebeu uma visita técnica especial em comemoração ao Dia Mundial da Água.

Uma comitiva da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), por meio da Subsecretaria de Energia e Mineração, visitou o município acompanhada de representantes da Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais Naturais (ABINAM). A escolha do local não foi aleatória: a comitiva visitou uma tradicional empresa brasileira de água mineral, com produção iniciada em 1876 — a primeira do estado de São Paulo — que neste ano completa 150 anos de atividades.

Entre os locais visitados, a comitiva passou pelo fontanário, a fábrica de linha de envase de água, o laboratório de análise de qualidade e os poços de captação de água mineral. "No mês em que comemoramos o Dia Mundial da Água, a visita técnica à empresa Águas Prata ultrapassa a mera observação industrial. Observar de perto as técnicas de captação da água mineral e os protocolos para manter a integridade do aquífero e a preservação do ecossistema local prova que a verdadeira sustentabilidade reside na proteção da fonte e na sua preservação para as gerações futuras", explicou Marisa Barros, Subsecretária de Energia e Mineração da Semil.

Selo que garante qualidade e procedência

O Selo Fiscal de Controle e Procedência é um certificado sanitário, ambiental e fiscal aplicado nas embalagens de água mineral, como garrafas e galões, para garantir a origem, a qualidade e a conformidade tributária do produto. Adotado desde 2021 para recipientes a partir de 4 litros, a medida visa proteger o consumidor e garantir a rastreabilidade do produto, combatendo o comércio irregular que pode colocar em risco a saúde da população. A partir de 2025, o selo passou a ser obrigatório também para recipientes com volume inferior a 4 litros.

O Selo Fiscal, afixado ao recipiente, garante ao comercializador e ao consumidor que o produto procede de estabelecimento credenciado junto à Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz-SP) e aos demais órgãos de controle de qualidade e procedência.

"As medidas adotadas por São Paulo contribuem para consolidar sua infraestrutura de destaque, mercado consumidor expressivo e desenvolvimento industrial. A atividade gera empregos, promove o desenvolvimento regional e movimenta cadeias produtivas em diversas partes de São Paulo e do país", afirmou o geólogo Carlos Alberto Lancia, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais Naturais (ABINAM).

A combinação entre tradição histórica, capacidade industrial, políticas de estímulo e preocupação com a qualidade e sustentabilidade explica por que São Paulo mantém sua liderança na produção de água mineral no Brasil — um setor que, além de movimentar a economia, está intimamente ligado à preservação de um dos recursos mais preciosos do planeta.